Eu vou tirar você desse lugar

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O cantor e compositor Odair José tem cara de brega, pinta de brega e só canta música brega. É verdade. No início dos anos 1970, Odair José virou cult quando Caetano Veloso gravou aquela música que diz assim: Eu vou tirar você desse lugar/Eu vou levar você pra ficar comigo… Odair ficou famoso com uma canção que virou um clássico da música brega: Pare de tomar a pílula. Acaba de chegar às lojas uma caixinha com quatro cds de Odair José chamada Quatro Tons de Odair José. Ouça agora Eu vou tirar você desse lugar com… Los Hermanos!

http://letras.mus.br/los-hermanos/95182/



Inteiro a seu dispor, princesa!

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[Crônica publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de S.Paulo no dia 4 de janeiro de 1987]

Logo eu, que na noite de 31 de dezembro prometi a Iemanjá não me apaixonar perdidamente por ninguém em 1987. Logo eu, no sexto dia do ano já  roubo versos de Torquato Neto: “Eu brasileiro confesso/Minha culpa, meu pecado/Meu sonho desesperado/Meu bem guardado segredo/Minha aflição”. Ontem, por volta de nove horas da manhã, o carteiro bateu na porta da minha casa trazendo um pacote kraft amarrado com um cordão de nylon azul e vermelho. Lá dentro, um disco chamado Besoin, da Stéphanie de Mônaco, e um bilhete com uma assinatura meio ilegível avisando: “Estou chegando”. Não era de Marielza, de Maísa, Nicole, Marie, nem Luisa de Oliveira, minhas amigas que estão em Paris.

Entreguei os pontos. Logo eu que há cinco dias vinha decifrando Yoko Ono nas canções de Feeling the Space, logo eu que vinha ouvindo também Iggy Pop pra não cair, agora estou aqui de quatro, apaixonado, esperando Stéphanie. Ouvindo o seu cantar, ouvindo ela me dizer “venha, tenho nos meus lábios o gosto amargo dos frutos selvagens”.

No dia em que Stéphanie chegar, vou levá-la na galeria do Cine Barão para tomar uma cerveja e apresentar a ela aquela figura que perambula por lá e que tem a cara do Charles Bukowski, aquele que escreveu a crônica de um amor louco. Vou caminhar até a Wop Bob, aquela lojinha que vende os discos mais descolados de São Paulo e mostrar de quem gosto, a começar por Nina Hagen. Tenho certeza de que Stéphanie vai adorar jantar no Singapoure, comer aquele frango com curry irresistível que tem lá. Queria tomar com ela uma caipirinha de figo maduro e sair cambaleando pelas ruas sujas e feias da maior cidade da América do Sul, circular com ela entre as morenas que vendem seus corpos por 400 cruzados. Queria até mesmo cruzar com aquele homem que, de madrugada, passa de mesa em mesa nos bares vendendo bonecas vestidas de noiva, saber o que ela iria achar.

Queria, por Stéphanie, me transformar num menestrel qualquer, roubar versos dos nossos poetas e fazê-la cantar comigo mesmo que fosse num português ruim. De Vinicius roubaria “eu sei que vou te amar”, de Caetano roubaria alguns versos dos argonautas e de Gil, Sandra. De Tom Zé roubaria “menina amanhã de manhã quando eu acordar e de Raulzito aqueles versos bregas de I Love You: “O que é que você quer/Que eu largue isso aqui/É só me pedir/Eu lavo e passo/Sirvo a mesa faxino/Aprendo e te ensino/Posso até dirigir/comprar um táxi/Só para lhe servir?”.

Stéphanie, minha mistura de Wanderléa, Madonna, Cyndi Lauper e Whitney Houston, aquela que vai chegar. Quero mostrar a ela os vinte e quatro discos cubanos que tenho, contei. Em especial um de Pablo Milanés chamado El Breve Espacio en que no estás.

Terça-feira tenho planos de fugir com ela para um hotel fazenda no quilômetro 11 da BR-354. É lá que me refugio sempre quando o meu coração de argonauta não aguenta tanta tormenta. Certo, Caetano?

De noite quero recitar para ela versos do Anticristo, de Augusto de Campos: “Devolve os pobres olhos que eu perdi/E que te habitam, desde que te vi”. Na quinta-feira quero voltar pra rua, passar pela feira do Pacaembu, explicar pra ela que fruit de la passion aqui tem o nome de maracujá. Talvez no último dia mostrar a ela os oito meninos que dormem todas as noites na marquise da Dunkin’s Donuts da Praça da República aproveitando o quentinho que vem do forno. Vou apresentar a ela a mãe deles, que mora na favela não muito longe daqui, aquela que me mostrou como se faz um café gostoso mesmo usando o pó até cinco vezes.

Quero ainda apresentar Juvenal Pereira a Stéphanie. Pedir a ele que capriche nas fotografias, sem direito a se apaixonar também. Essas fotos vou revelar, espetar com alfinetinhos na cortiça que tenho aqui na sala da minha sala e quando ela voar vou tentar levar o barco sem temporais. Certo, Capinam?

 







Gracias a la Vida

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De tempos em tempos, nos chega às mãos um novo capítulo da História do Brasil. Desta vez quem acaba de escrever mais um foi ex-líder estudantil e ex-militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8, Cid Benjamin. Cid foi um dos mais ativos participantes da luta armada contra a ditadura militar que se instaurou no Brasil em 1964. Guerrilheiro ousado,  ele tinha 21 anos de idade quando foi um dos responsáveis pelo sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em setembro de 1969. O que ele conta no livro Gracias a la Vida, apesar de ser uma página infeliz da nossa história, é emoção do início ao fim, com detalhes importantes para a compreensão do que se passou no Brasil naquele período. Hoje, aos 64 anos, Cid é jornalista com passagens pelo Jornal do Brasil e O Globo.

Gracias a la Vida – Cid Benjamin – Editora José Olympio – 292 páginas – 35 reais

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[Cid, em foto oficial do DOPS]




Micro Editorial

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Suzana Singer, ombudsman do jornal Folha de S.Paulo, em sua coluna de domingo passado chamou de rottweiler o recém contratado do jornal, Reinaldo Azevedo. Não sei como, até o momento, a Associação dos Criadores de Rottweiler não protestou.

[foto: Reprodução Internet]


Pedras Rolando

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Paul McCartney, que está lançando o cd New, é capa da revista americana Rolling Stone. A primeira vez que o ex-beatle apareceu sozinho na capa da Rolling Stone foi numa edição de abril de 1970, quando a revista ainda era um jornalzinho underground em preto e branco.

[fotos: Reprodução]



Good Morning America!

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O dia hoje começa lembrando que foi num 30 de outubro que os americanos viram, pela primeira vez, imagens em movimento dentro de um caixotinho chamado televisão. Era 1925. No Brasil, ela só foi inaugurada em 1950, quando Hebe Camargo surgiu no vídeo com os cabelos pretos mas com o mesmo sorriso que ela exibiu durante toda sua vida.

[foto: Reprodução]