Uma notícia do peru

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São notícias que a gente guarda para, alguns anos depois, saber no que deu. Esta notícia acima foi publicada no jornal O Globo de 20 de novembro de 2002. A Sociedade União Internacional Protetora dos Animais sugeria que abandonássemos o hábito de comer peru no Natal. Onze anos depois, o recorte não passa de uma notícia do peru.

[reprodução: O Globo]

Ry Cooder

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A Warner está lançando uma preciosidade na Europa e nos Estados Unidos. Uma caixa com doze cds do gruitarrista americano Ry Cooder, gravados entre 1970 e 1987. Para matar a saudade, ouça uma de suas obras primas: Paris, Texas.

Senhores Passageiros!

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O domingo começa lembrando que foi num 15 de dezembro que ficamos sem a Varig. Aquela Varig que nos levava para todo canto e nação com charme e elegância. A Varig deixou de operar no dia 15 de dezembro de 2006, nos deixando a ver navios. Clique aqui para ver um anúncio da Varig! Varig! Varig!

 

#vaoproshopping

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O jornal Libération deu página dupla para uma manifestação contra o consumo em Natal, no Rio Grande do Norte. Um grupo invadiu o Shopping Midway Mall pedindo as pessoas para não consumir cegamente. A imprensa brasileira praticamente ignorou o ato.

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Pedras Rolando

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Altamente recomendada a edição de dezembro da Rolling Stone brasileira. Uma boa entrevista com Ney Matogrosso, uma grande reportagem com Chales Manson, o líder da seita que assassinou a atriz Sharon Tate, em 1969, Lou Reed por Laurie Anderson, sem contar Paul McCartney.

[foto: Reprodução]

Banca

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As revistas TRIP com Paula Lavigne e a TPM com Maya Gabeira na capa são duas boas opções de leitura para esse sábado de agitação lá fora.

[foto: Reprodução]

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Oh, Minas Gerais!

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O sábado começa lembrando que foi no dia 14 de dezembro de 1956 que o presidente Juscelino Kubitschek comprou da Marinha inglesa o porta-aviões que ganhou o nome de Minas Gerais. O Estado de Minas não tinha mar mas agora tinha um porta-aviões com o seu nome. Ele só incorporou à Marinha do Brasil em 1960. Foi quando o menestrel Juca Chaves, então o rei da paródia, fez a canção “O Brasil já vai à Guerra”. A compra virou uma piada. Ouça.

 

 

Colaborações

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A amizade entre o beatle George Harrison e o músico indiano Ravi Shankar durou mais de três décadas. O que eles produziram juntos está reunido agora numa caixa com três cds, lançada na Europa e Estados Unidos: “Shankar, Family & Friends” (1974), “Music Festival from India” (1976) e “Chants of India” (1997). O preço é salgado (79.90 euros) mas a música é um barato total.

Collaborations – Ravi Shankar & George Harrison – 79.90 euros

Azeite!

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[Crônica da semana publicada no site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br

Era assim. Você convidava uma garota para ir ao cinema e se ela dissesse não, você meio cabisbaixo, mas ao mesmo tempo sem querer dar o braço a torcer, dizia:

– Não quer ir, azeite!

Era assim. Não quer me beijar, azeite! Não quer viajar, azeite! Não quer fazer isso ou aquilo, azeite! O azeite era o equivalente hoje ao “azar o seu” ou “dane-se” e, nos casos mais graves, não quer ir?

– Aperte a tecla foda-se!

Mas azeite era também o Gallo. O meu pai era alucinado por azeite, talvez por suas raízes portuguesas, sei lá. E tinha de ser Gallo. Azeite para ele era o Gallo e pronto. De tempos em tempos ele pegava a sua Rural Willys vermelha e branca e ia até as Estâncias Califórnia, que ficava no  centro de Belo Horizonte, perto do viaduto Santa Tereza, para comprar Azeite Gallo. Era a única importadora de Belo Horizonte onde vendia o tal azeite.

Só existia em lata e essas latas vinham de navio de Portugal para o Brasil. Demoravam semanas e semanas até chegar ao porto do Rio e, em seguida,  serem despachadas para Belo Horizonte. Muitas vezes o meu pai comprava uma caixa de madeira com seis latas porque na minha casa não podia faltar.

Ele não era rico e a única coisa de rico que tinha na minha casa eram aquelas latas importadas de azeite Gallo. Disso ele fazia questão. Se você quiser saber porque, eu conto.

De manhã, era ele quem preparava o café da manhã, que era bem farto. Colocava a mesa na véspera, de noite, antes de dormir. Arrumava os jogos americanos, as xícaras, os pratinhos, colherinhas, facas e garfinhos. Os copos pro suco de laranja que ele espremia uma a uma, quase de madrugada ainda, lá estavam arrumadinhos num desenho lógico.

Descascava o mamão da Amazônia (era assim que chamávamos o papaia) e quando o dinheiro estava sobrando ele trazia melão espanhol do Mercado Central. A geleia era da Cica e o Queijo da Canastra. Coava ele mesmo o café em filtro de pano e colocava ainda na mesa o vidro de Toddy (o Toddy vinha em vidro), o vidro de Leite (o leite também vinha em vidro) e a manteiga, ambos Itambé.

Quando tudo estava pronto ele pegava a frigideira, jogava o azeite e ligava o fogão com o Magiclick, que ele achava ser o máximo do progresso. O cheiro do azeite se espalhava pela cozinha, entrava na despensa, passava pelo corredor, ia pra copa, pra sala e chegava aos quartos. Acordávamos com aquele cheiro delicioso de Azeite Gallo no ar, sinal de que estava na hora de pular da cama.

O meu pai ia fritando um a um os ovos para os seus filhos. Uns queriam mole, outros duro, ele sabia bem o gosto de cada um. Ia  colocando nos pratinhos, quando chegávamos pra tomar o café da manhã em família. Hoje, pensando bem, acho até que se alguém filmasse aquela cena daria um bonito anúncio de margarina, mesmo não tendo margarina na mesa porque o meu pai tinha uma birra danada de margarina.

– Não como sebo! Dizia ele.

Durante muitos e muitos anos o azeite Gallo era aquela lata com aquele galo de peito estufado na embalagem. Essa semana lembrei-me dessa história porque fui ao supermercado e tive uma surpresa. O Gallo mudou já tem algum tempo mas, pra ser sincero, só agora caiu a ficha.

Na prateleira tinha o Gallo Tradicional, o Gallo Virgem, o Extra-Virgem, o Primeira Colheita, o Colheita ao Luar, o Grande Escolha, o Reserva mas o que é mais triste, aquele cheirinho bom de azeite que se espalhava pelos cômodos da casa, que nos acordava, esse não existe mais. O azeite hoje não tem mais gosto de nada.

 

A última carta

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O jornal francês Libération e o caderno de fim de semana Eu& do jornal Valor Econômico, tiveram a mesma ideia. Na capa de ambas as publicações que chegaram hoje às bancas, o fim das cartas. Aquelas cartas escritas em papel de seda e enviadas em envelopes verde e amarelo (no Brasil) e azul e vermelho (na França).

[fotos: Reprodução]