Parabéns pra você!

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[Crônica da semana publicada no site da revista “Carta Capital”]

http://www.cartacapital.com.br

Na verdade, sempre odiei o dia do meu aniversário. Nem vou dizer aqui que dia é. O problema é que minha mãe adorava. Uma semana antes, ela começava os preparativos para a festa. Encomendava os salgadinhos lá na Dona Elvira, comprava os refrigerantes, os enfeites, mas os docinhos ela mesmo fazia. Cajuzinho, canudinho, olho-de-sogra,  brigadeiro e aquele delicioso bombom recheado com uva verde. A bala de coco ela encomendava lá na Dona Olívia.

Quando ia chegando a data – repito, não vou dizer aqui –  ela fazia uma faxina geral na casa, daquelas com palha de aço, cera Parquetina e enceradeira. Depois  passava horas no telefone convidando todos os vizinhos, parentes e amigos. Quando chegava o dia, quando os convidados começavam a tocar a campainha, eu tinha vontade de fugir, de sumir do mapa. Algumas vezes cheguei a me esconder debaixo da cama mas fui descoberto, claro.

Eu até que gostava de receber presentes. Ganhava Forte Apache, João Bobo, Kit Xerife, O Pequeno Cientista, O Pequeno Arquiteto, bola de couro, os presentes eram bons, mas eu ter de agradecer a cada um era a morte pra mim. Morria de vergonha. Confesso que não gostava de receber roupas ou sabonetes. Ficava meio desapontado mas mesmo assim ouvia da minha mãe:

– Agradeça a Dona Geny a caixa de sabonetes!

E eu agradecia.

E na hora do parabéns? Que horror! Quando o meu pai apagava a luz, eu já ficava gelado. Quando acendia as velinhas eu ficava roxo de vergonha vendo todas aquelas carinhas e caronas cantando parabéns, sorrindo, batendo palmas e olhando pra mim. A mesa era a coisa mais linda do mundo. Toalha branca bordada e um bolo de coco em cima. O Guaraná Champagne Antartica era servido em taças e o bolo em pratinhos de porcelana. Ainda não havia o descartável nesse mundo.

Quando cresci um pouquinho, implorava à minha mãe para não ir na escola no dia do meu aniversário. Não aparecer no Colégio Marista naquele 3 de agosto (ops, falei!) para mim era tudo. Tinha pavor da minha professora se lembrar e chamar a turma para um “parabéns pra você”. Com que cara eu ficaria vendo os meus colegas cantando e batendo palmas pra mim?

Até hoje fico com um pé atrás quando vai chegando o dia do meu aniversário. Não que eu ainda tenha vergonha do parabéns, do bolo com velinhas ou tristeza de ficar mais velho, nada disso. Já passei por 63 aniversários, me acostumei, mas confesso que vivi alguns 3 de agosto traumáticos e inesquecíveis. Este ano, minhas filhas estão pensando em fazer uma festa temática pra mim, aproveitando a música dos Beatles, “When I’m Sixty-Four”. Pode até ser divertido mas, por enquanto, não quero pensar muito nessa história não.

Na verdade, o meu sonho sempre foi ser como o chargista Jaguar, o cantor argelino Cheb Khaled, o rapper norte-americano Ja Rule ou a atriz inglesa Emma Barton, que nasceram no dia 29 de fevereiro e só fazem aniversário de quatro em quatro anos. Isso é que é felicidade.

[foto: Arquivo Pessoal]

Minha vida de cachorro

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A semana que fecha com mais um chilique de Joaquim Barbosa, com uma mulher que perdeu o braço no metrô de São Paulo, com o PIB surpreendendo, com o fim da matança em Kiev, com Maduro no poder e com o carnaval chegando, termina também com uma perguntinha: Onde foram parar os 178 beagles que foram resgatados por ativistas no Instituto Royal, em São Roque, São Paulo, no dia 18 de outubro do ano passado? Por onde andam os cães que eram usados para testar reações adversas de remédio?

[foto: Reprodução Internet]

Kiev

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Um religioso ortodoxo rezando ao lado das forças de ordem. Esta fotografia foi considerada a mais original da cobertura dos conflitos em Kiev.

[foto: Sergei Grits/AP]

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Drag Putin

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O artista gráfico Saint Houax transformou várias personalidades do mundo político em drag queens. Veja como ficou o líder russo, Vladimir Putin.

[imagem: Reprodução]

 

Cena de um casamento

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O casal de russos Alexander Eremeev e Dimitry Zaytsev, felizes da vida, comemoram o casamento em Buenos Aires. Os dois, que saíram da Russia no início de fevereiro, criticam a lei anti-gay no país e já entraram com um pedido de asilo político ao governo argentino.

[foto: Marcos Brindicci/Reuters] 

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Perigo Vermelho

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No dia 27 de fevereiro de 1964, pouco mais de um mês antes do golpe militar, o jornal “O Globo” chegava às bancas com essas notícias na primeira página. Preste atenção em algumas manchetes:

1. O terço contra o comunismo

2. Minas é contra o comunismo e não contra o direito de reunião

3. Cuba prepara, diz anti-castrista, atos terroristas no nordeste do Brasil

4. Apelo para Goulart reprimir agitação em Pernambuco

5. Armam-se os fazendeiros goianos ante as ameaças de invasões de terra

[foto: Reprodução O Globo] 

Sufoco!

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Pela primeira vez na história, um homem entrou na justiça contra o Departamento de Proteção Ambiental da China. Li Guixin, morador da cidade de Shijiazhuang, no norte do país, exige q que ele seja indenizado com os valores de um nebulizador, uma esteira para exercícios caseiros e várias máscaras para enfrentar a poluição. Guixin não acha justo que, por culpa do governo, ele tenha de gastar dinheiro para poder respirar um pouco melhor.

[foto: AFP] 

God Save the Queen

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A quinta-feira, 27 de fevereiro, começa com uma notícia super interessante que chega da Universidade de Lausanne, na Suíça. A equipe do pesquisador Michel Chapuisat, que vem trabalhando há muito tempo com as formigas da família da Formica Selysi, concluíram que em caso de inundação, a primeira providência que as formigas tomam é salvar a rainha, aquela que comanda a tropa. Elas fazem uma pirâmide, correndo risco de morrerem afogadas, mas colocam a poderosa chefona no topo para que ela sequer molhe as patinhas.

[foto: Université de Lausannne]

Yankees, Welcome!

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Quem não se lembra dos vietnamitas gritando “Yankees, Go Home!” durante a guerra? Pois é, a história mudou. Acaba de ser inaugurado, e com muito sucesso, na cidade de Ho Chi Min, o primeiro Mc Donald’s do país. Sinal dos tempos.

[foto: Reprodução]