Au revoir, Paris!

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[QUARTA, 29 DE ABRIL DE 2014]

Esqueci de fechar a cortina, acordei com o sol na cara. Cedo, sai andando pela cidade. Peguei o 58 e fui até a Gare Montparnasse. Na super banca comprei o “Süddeutsche Zeitung” pra minha filha, e ali mesmo na estação de ferro, sentado num café, tomando um expresso e comendo um pain au raisin, comecei a folhear a “Geo”. Quando vi as fotos dos lençóis maranhenses, de Parati, do mar da Bahia, de Olinda, pensei com os meus botões: “Pode botar água no feijão que eu tô voltando!” Mas ainda fiz algumas fotos, sempre com o iPhone.

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No ônibus 58.

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Bananas na vitrine da “Body Shop”.

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Post-it num outdoor da estação Nation do metrô: “Vamos exigir um metrô sem publicidade”.

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Quem resiste?

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Sublime Brasil!

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Fila para visitar o Palácio da Justiça.

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Cartaz na Rue Descartes: Terceira Festa Anti-Capitalista: “Trabalhadores de todo o mundo, uní-vos!”

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O corredor de ônibus vai contra o fluxo do trânsito.

 

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Ninguém mais usa cabine de telefone público. Elas servem pra colar cartazes dos espetáculos na cidade.

 

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Estação Bastille do metrô.

[fotos iPhone: Alberto Villas]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Selfie-Service

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Acabou aquela história de casal de turista pedir pra você fotografá-los juntinhos na Pont Neuf ou na Pont des Arts. O selfie agora não é mais uma modinha, é uma realidade. Por onde você anda, por onde você passa, tem alguém fazendo um autorretrtato. Seja com o Sena ao fundo, a Torre Eiffel ou as pirâmides do Louvre, não importa. Tem gente fazendo selfie em qualquer lugar. Hoje vi um no banheiro do Beaubourg.

Andando pela cidade nessa segunda-feira de primavera, flagrei esse Top 10 pra vocês. O cotidiano de uma cidade nas lentes de um iPhone. Veja.

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Vitrine na Rue de Rennes.

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Enquanto em São Paulo economiza-se água, aqui lavam a rua.

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Na livraria Joseph Gilbert, um guia: “Onde fazer xixi em Paris?”

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Uma maneira barata de fazer propaganda: Grafitar na calçada. “A gente se vê na Rue Bonaparte, 64 – Nespresso”

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Na capa da “L’Express”, o presidente da República e suas mulheres.

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Quem diz que é Paris?

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A Copa do Mundo é uma festa na Go Sport.

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O primeiro vinil do Gil na prateleira da Fnac Halles.

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Estudantes fazem um lanche na praça do Châtelet, no meio da tarde.

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O popestar dá um tiau movido a energia solar, numa vitrina na Rue du Bac.

[fotos iphone: Alberto Villas] 

 

 

 

 

 

 

 

 


Se essa rua fosse minha

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[DOMINGO, 27 DE ABRIL DE 2014]

Maravilha acordar cedo e olhar pela janela o céu azul e o sol batendo na varanda dos meus vizinhos, que tomam o café da manhã numa mesinha redonda do tamanho de um pires, aproveitando o dia bonito. Saio com uma missão. Tenho de fazer um texto pra revista “Viagem e Turismo” e quero fazer sobre a Rue Mouffetard. Não vou falar dela aqui para não estragar a surpresa. Então deixo vocês com uma coleção de fotos feitas hoje. Vejam…

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… o cuidado que os franceses tomam para proteger uma árvore, que acaba de ser plantada no Boulevard St. Michel.  Só falta ter um segurança ao lado.

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… o quiosque no Jardin du Luxembourg, pronto para vender crepes, bebidas, café e capuccino, com dois pp e apenas um c.

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… o céu azul da cidade, anunciando a chegada do verão.

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… uma figura ouvindo jazz na Île de la Cité, onde Chico Buarque tem um apartamento. Ai sim, a gente morre de inveja.

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… uma fila enorme que se forma na porta do Museu d’Orsay para ver a extraordinária exposição Van Gogh/Artaud.

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… os talheres dispostos na mesa do restaurante do Museu d”Orsay parecem obra de arte, meio Braque, meio Mondrian.

[fotos iPhone: Alberto Villas]

 

 

 

 

 


Virgin não há mais

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[Sábado, 26 de abril de 2014]

A avenida dos Champs Elysées continua linda, majestosa, com suas calçadas da largura da avenida Paulista. O piso de pedra, que nunca ganhou asfato, é um charme à parte. As lojas que fazem os olhos dos brasileiros brilharem, continuam lá. Tem Gap, tem Disney Store, tem Sephora, muitas grifes e muitas concessionárias com seus carros conceito. Um desfile permanente de moda. Seus cafés charmosos, tudo continua lá. Na primavera tudo fica ainda mais deslumbrante. As folhas verdes dão um toque especial, anunciando que o verão vem ai.

A loja que mais gostava de ir era a Virgin Megastore, uma das maiores lojas de discos que conheço. Era lá que encontrava todos os discos possíveis e imagináveis. Do rock ao reggae, do funk ao jazz, os discos independentes e os brasileiros que a gente não encontra em nosso país. Todos os discos de João e Astrud Gilberto. Pilhas de Baden Powell, de João Donato, de Johhny Alf. A última vez que fui lá comprei um da Joyce (tinha todos) em que ela canta Jóia, nunca lançado no Brasi: “Um selvagem levanta o braço/Abre a mão e pega um caju…” Era. Era porque hoje cedo quando passei na porta já não havia mais o logo vermelho lá no alto. Estou apenas o Megastore escrito em cima da porta principal. Estava fechada. Para sempre. Chovia e fazia frio apesar da primavera estar em vigor. Fiz uma foto e dei meia volta.

Quando morava aqui, passei quase uma década querendo comer mamão. Não havia mamão em lugar algum e não tinha como alguém trazer um para mimdo Brasil. Fiquei com água na boca durante anos e anos. Hoje, tem mamão papaia em todo canto. Do Brasil. Descobriram o papaia e ele caiu no gosto do francês.

Nas livrarias você encontra todos os livros de Paulo Coelho e Jorge Amado. Encontra Chico, Luiz Ruffato, João Ubaldo e, na vitrine, a novidade é “La Seule fin Hereuse pour une Histoire d’Amour, c’est un Accidente”, de João Paulo Cuenca.

Amanhã, quem sabe, faz sol?

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A Virgin não há mais.

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Papaye du Brésil, 7.95 euros o quilo. Uns 24 reais.

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Cuenca nas livrarias.

[fotos iPhone Alberto Villas]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


London London

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Sexta, 25 de abril de 2014 – 40 anos da Revolução dos Cravos

Chego em Londres para ver como a cidade funciona. Por um lado é a mesma cidades que conheci lá nos anos 1970, atravessando o Canal da Mancha naqueles barcos balançando e as gaivotas nos seguindo. Lá estão os táxis pretos impecáveis, as cabines vermelhas de telefone, os ônibus de dois andares, os turistas na porta do palácio da Elizabeth esperando a troca de guarda. Ingleses com guarda-chuva nas ruas, faça sol ou faça chuva, continuam lá. Les Miserables e Cats continuam em cartaz. Os metrôs, agora mais informatizados, sãos os mesmo. Apertadinhos e cheio de pessoas lendo. Só não pode mais é fumar.

Fico aqui pensando porque os brasileiros andam tão reclamões. Vivemos num planeta superpovoado, com as metrópoles vazando gente pelo ladrão. Chegando a estação de St. Pancras, dá pra sentir. Um milhão de pessoas, filas pra tomar um capuccino, pra comprar um jornal, pessoas de pé esperando lugar pra sentar numa simpática mesinha do Le Pain Quotidien ou do Café Costa. Filas pro check-in, filas pra passar no controle de passaporte, filas pra passar a bagagem no detector de metais. Precisamos acostumar com isso. Dizem que a classe média brasileira invadiu os aeroportos e que tudo virou uma bagunça. Aqui, todo mundo frequenta aeroportos e estações de trem. O Brasil precisa organizar a vida, acostumar com essa multidão que viaja, que quer correr o país, correr mundo. Precisamos abrir espaço. Porque fazem aeroportos apertadinhos? Porque as pessoas se arvoram em ficar colado na esteira com um carrinho esperando a mala chegar. Aqui as pessoas acostumaram a esperar a mala a dois metros da esteira. Ai tudo funciona. Aqui ninguém entra no vagão do metrô sem que todo mundo tenha descido. Precisamos aprender isso. Não vi um papel no chão de Londres. Mas repito, aqui as lixeiras são sólidas, eternas, não são de plástico mole que caem na primeira chuva.

Será que nenhum prefeito, nenhum vereador quando viaja pra fora vê isso? Ou continuam achando que é melhor pegar o dinheiro da lixeira sólida e eterna e comprar umas vagabundas e colocar o que sobrou do dinheiro  (uma fortuna) no bolso? Sei lá, fico meio desanimado com o Brasil Não devia ser assim.

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St. Pancras Station. É o trem que vai, o trem que vem…


Depressão

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Quinta, 24 de abril de 2014

Toda vez que chego a Londres, fico meio deprimido. Meio deprimido com as nossas cidades. Por que será que nós não cuidamos delas? Por que será que as calçadas são esburacadas, o asfalto é vagabundo, as lixeiras toscas e vagabundas, os pontos de ônibus sem informação, os ônibus péssimos, tudo ruim? Será que merecemos. Quem são os culpados? Os prefeitos? Nós? Acho que todo mundo. O brasileiro parece que não tem amor pela cidade. Cuida da casa e o que está fora de casa, é lixo. Talvez seja por isso que andamos em Londres e vemos tanta gente aproveitando, vivendo a cidade. Os pubs cheios, os cafés cheios, as ruas, todo mundo pra lá e pra cá. Nós nos conformamos com aquele esquema ap, garagem, automóvel, shopping. Quando resolvemos ir a praia, são aqueles 250 quilômetros de engarrafamento que o Jornal Nacional anuncia. A gente não vê um buraco nas calçadas, as lixeiras são sólidas e bonitas, todas as classes andam de metrô e de ônibus. Onde foi que nós erramos? Será que a vida em Santa Rita do Sapucaí, em Conceição do Mato Dentro é melhor que a vida das metrópoles. Quando eu era menino e morava em Brasília, quando inaugurou, eu acreditava que viveria para ver uma cidade bonita como Brasília anunciava. Mas hoje, volto a Brasília e vejo a cidade aos frangalhos. Decadente, pessimamente acabada, descascando, descolando. Um desastre. Claro que existem ilhas de fantasia, como em São Paulo. Lá temos o shopping Cidade Jardim e o shopping JK. E uma rua chamada Oscar Freire que, no fundo no fundo, é apenas metida a besta. Onde foi que erramos que não colocamos o lixo no lugar certo, que pixamos os pontos de ônibus, que colocamos fogo nas lixeiras de plástico vagabundo?

Se ontem falei dos jornais gratuitos em Paris, hoje a história é outra. Londres está transbordando de jornais. Grandes, bonitos. Todo mundo nos vagões do metrô lendo jornais que compraram nas lojas porque aqui banca não há. The Independent, The Times, The Guardian. E a New Cientist lá dependurada sempre anunciando uma novidade na capa. Mas confesso que não consigo entender como tem gente lendo o Sun. Um jornal escandaloso, feio, assustador. Porque será que os ingleses, tão elegantes, gostam do Sun e suas Notícias Populares? Onde foi que eles erraram?


Dá pra entender

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Quarta, 23 de abril de 2014

Sim, dá pra entender porque os jornais convencionais, vendidos em bancas, estão morrendo. Aqui em Paris, toda manhã, antes mesmo do sol raiar, toneladas de jornais gratuitos são despejados nas estações de metrô e em vários pontos da cidade. São quatro: 20 Minutes, Direct Matin, MetroNews e A Nous Paris. Não são jornais de opinião mas de serviço, inclusive com a programação de TV, museus, teatro, filmes em cartaz, lançamentos de livros e discos. Além das notícias de política, esporte, saúde, cidade… Se há alguns anos, era comum ver no metrô e nos ônibus os franceses lendo o Libération, Le Monde, Le Figaro, Le Parisien Liberé, Les Echos ou France-Soir, hoje só dá os pequenos tabloides. Virou uma febre. Com jornais de graça em cada estação, ninguém mais vai à banca comprar jornal.

Não dá para entender porque uma grande loja de discos aqui tem exatos 36 discos de Egberto Gismonti na prateleira. Recentemente, procurei discos deles em duas grandes lojas de São Paulo e o resultado foi: Nenhum produto disponível para o nome Egberto Gismonti.

Hoje fico por aqui, com alguns flagrantes da cidade. Veja.

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Francesa lê o jornal Direct Matin, gratuito, no metrô.

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Impressora em 3D já à venda.

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O anúncio do Mc Donalds avisa: “Para sua saúde, evite comer comida com muita gordura, muito açúcar ou muito sal”. Na TV, todo anúncio de comida é obrigado a dizer no final: “Procure comer cinco frutas diariamente”.

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Car Art

[fotos iPhone Alberto Villas] 

 

 

 


Como se fosse a primavera

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Terça, 22 de abril de 2014

E é. A primavera aqui está linda. Hoje choveu enquanto o céu estava azul e o sol brilhando. A tal cidade luz. A vida voltou ao normal, depois do feriadão. Muita gente nas ruas, por entre bancários, automóveis, ruas e avenidas. Que maravilha, como dizia Jorge Ben, antes de ser Jor. Um anúncio na televisão logo cedo, enquanto tomava café, dizia que quem compra o cereal Fitness, concorre a um curso de samba para quando for ao Brasil ver a Copa. Antes de sair dei uma espiada na Folha online de ontem porque ainda era madrugada e a Folha não tinha chegado na web. Do artigo do Pondé li a primeira frase: “Ser jovem e liberal é péssimo para pegar mulher”. Li a primeira página e fiquei por ai. Não dá, né? Hoje foi dia de ver a exposição Van Gogh/Artaud no museu d’Orsay. Uma hora na fila mas valeu a pena. Maravilhosa. É sempre emocionante ver um quadro dele pela primeira vez. Não conhecia o “Hospital Saint Paul”. Fiquei horas admirando. Vi também a exposição do Gustave Doré, surpreendente. Almocei lá. O restaurante do museu, olhando assim por fora, tem cara de ser carésimo. E não é. Um prato de risoto de funghi secci  ao preço de 32 euros. De comer de joelhos. Um vinho nacional e uma salada de frutas. Depois dei um rolezinho pela cidade. Entrei num supermercado pra fazer compras porque jantar, janto em casa. Impressionante como os produtos orgânicos invadiram as prateleiras. Parece que tudo é “bio”agora. Do iogurte a manteiga, do café a geleia, do macarrão ao pão. Comprei uma penca de bananas com a etiqueta “Produto da Martinica”. Então é verdade a história da Chiquita Bacana lá da Martinica que se vestia com uma casca de banana nanica… Fiquei impressionado na Fnac Halles como o vinil voltou. Acho que tem mais vinil que cd. Todo disco novo sai em cd e em vinil. Comprei o disco Fool Metal Jack, do mutante Sergio Dias Baptista, inédito ai. Ainda não ouvi. E comprei o histórico disco do Sixto Rodriguez, o cantor mexicano do documentário “Seaching for Sugar Man”. Comprei um livro que parece ser superinteressante. Da série “Quando tinha 20 anos”. O personagem agora é Nelson Mandela, acabou de sair. Tem “Quando Hemingway tinha 20 anos”, Marlyn Monroe, Albert Camus e muitos outros. Desculpe pelas falhas, esse texto não tem revisão porque não tenho saco de revisar nesse computador tão pequenininho. Amanhã tem mais. Vou preparar o meu jantar.

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Os vinis na Fnac

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O disco do Rodriguez

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O doutor Paul Gachet, de Van Gogh, no Museu d’Orsay


Em casa

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Segunda, 21 de abril

Sei que existe um ar de antipatia naquela frase que, segundo a lenda, FHC sempre dizia quando chegava à Paris, abria a janela, olhava a cidade e dizia: “Aqui, eu me sinto em casa!”. Mas hoje roubei a frase dele, ao abrir a janela do flat onde estou e vi o céu cinza, uma garoa fina caindo, um silêncio sepulcral, nessa segunda de feriado. Me senti em casa. Veio aquela imagem da preguiça ao acordar tão cedo pra ir pra faculdade, lá nos anos 70. Adorava aquele chocolate quente que saia da máquina, quando chegava o intervalo entre uma aula e outra. Ninguém aqui enforcou ninguém nesse 21 de abril mas é feriado. Na verdade, feriado religioso. Fui na padaria em frente, comprei uma baguete fresquinha e voltei pra tomar café. Quando sai a mocinha da portaria me desejou uma “feliz segunda-feira de páscoa”. Sai feliz. Peguei o 58 e desci na calçada do Jardin de Luxembourg. Estava cheio, apesar do tempo frio, do céu cinza. Meninos já preparavam suas varetas para conduzir os barquinhos de madeira que alugam à beija do lago. A diversão deles é seguir os barquinhos que vão, guiados pelo vento. O parque está cheio de japoneses que vieram no ônibus vermelho do citytour. Cada um com sua máquina fotográfica dependurada no pescoço, lá estavam eles, os “nikonicos”, como são chamados aqui. Hoje não tem jornal na cidade. Paris não tem jornal no domingo nem nos feriados. Acham que domingo e feriado não é dia de ler notícias. A TV, enquanto tomava café, mostrava sem parar a chegada a Paris dos reféns franceses que passaram dez meses sequestrados na Síria. Desci o Boulevard Saint Michel e fui andar à beira do Sena, onde várias pessoas estão fazendo jogging. Aqui ainda usam a palavra jogging, no Brasil, anda meio esquecida. Não conheço ninguém que vai correr e diz “vou fazer jogging”. Parei na primeira banca dos buquinistas, tentado pelos antigos números da “Paris Match”. Nas capas, a morte de Hemingway, a morte de Walt Disney, o homem pisando pela primeira vez na lua, Brigite Bardot superstar. 50 euros cada. Muito caro. A atração no Jardin de L’Aclimatation é uma exposição sobre o Brasil, o país do futebol, o país da Copa. O stand que mais faz sucesso é o da gastronomia, onde ensinam o francês a fazer pão de queijo. Sim, aqui no país dos 500 queijos. Vou almoçar, meio dia já passou e por hoje chega. Beijos.

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[foto: Alberto Villas]


Diário de Paris – 1

Não foi à toa que Vernon Duke e E.Y. Harburg compuseram a canção “April in Paris”. E não foi à toa que “April in Paris” ganhou interpretações de Louis Armstrong, Count Basie, Bill Evans, Charlie Parker, Billie Holidy, Ella Fitzgerald, Doris Day e tantos outros bambas. Abril em Paris é uma festa. A cidade está linda, já com as folhas verdes nas árvores, esperando o verão chegar. As pessoas nas ruas, mangas de camisa, aproveitando o céu azul, o sol e os termômetros marcando 22 graus. Os cafés transbordando de gente nas calçadas tomando uma Perrier com gotas de limão siciliano, um expresso bem tirado, um croque monsieur. No primeiro dia ainda deu pra correr no Beaubourg pra ver a magnífica exposição do fotógrafo Cartier-Breson. Uma hora na fila, apesar de estarmos aqui no meio de um feriadão. Amanhã aqui é feriado não por causa de Tiradentes, é feriado da pascoela. Depois de dez horas de voo até a cidade do Porto e mais duas do Porto a Paris, foi o que deu pra fazer. A cidade continua linda. Amanhã tem mais, com mais detalhes.

20 abril 2014





Checou?

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A farsa do jornalista dinamarquês mostra a fragilidade do nosso jornalismo. Todos caíram direitinho na história e correram pra escrever, baseados numa postagem no Facebook. Era norma em toda redação, assim que chegava uma notícia, o editor perguntar: “Checou?” A história mudou. Agora o negócio é publicar. Alguns jornais, alguns jornalistas ainda publicam um “erramos”, outros fingem-se de mortos. Veja só:

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OS cadernos de Albert Camus

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A Editora Hedra está colocando nas livrarias três livrinhos muito interessantes. Não pense que é um diário tipo “hoje amanheci assim ou assado”. São três livros que revelam os cadernos que o escritor Albert Camus cultivava, escrevendo, fazendo rascunhos, anotando observações, entre 1935 e 1942. Escritos como: “Só se pensa por imagens. Se você quiser ser filósofo, escreva romances”. É a dica de leitura para esse feriadão, que tem hora pra terminar: Terça-feira! Cada livro custa 32 reais.

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[fotos: Reprodução]  

 


Lágrimas Mexicanas

Vinicius Cantuaria - lagrimas mexicanas

A trilha sonora sugerida para este fim de semana que começa amanhã e só termina na terça-feira, é o CD “Lágrimas Mexicanas” do nosso cantor e compositor Vinícius Cantuária, em parceria com o guitarista Bill Frisell.  Gravado em Nova York, ‘Lágrimas Mexicanas” é daqueles discos pra sempre. Lindo demais. Já que Cantuária não encontra mercado por aqui, vamos ouvir o seu disco estrangeiro.

 



Meio estrangeiro

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Morei vinte três anos da minha vida em Belo Horizonte, dois em Brasília, seis em Paris e moro em São Paulo há trinta e quatro anos. Mas sinto-me ainda meio estrangeiro. Não que a cidade tenha me recebido mal, muito pelo contrário.

Quando aqui cheguei a música Sampa ainda estava nas paradas de sucesso. Alguma coisa realmente acontecia no meu coração quando cruzava a Ipiranga com a Avenida São João. Fui morar no décimo sexto andar de um edifício em Higienópolis e, lá de cima, via a feia fumaça subindo e apagando as estrelas. Andando pela Angélica, sentia a força da grana que erguia e destruía coisas belas.

Dava de cara com a dura poesia concreta de tuas esquinas e com a deselegância discreta de tuas meninas. Em compensação, já havia para mim Rita Lee, a mais perfeita tradução do Lança Perfume. Resumindo: Aprendi rapidinho a chamar-te de realidade.

Comecei a trabalhar separando telex no Estadão. América do Sul numa pilha, Europa em outra, Estados Unidos, Países do Leste, Guerra Fria, Sandinistas,  Malvinas, tudo separadinho. As notícias curiosas, bizarras, separava para a coluna Pelo Mundo, pilotada pela Cecília Thompson.

Confesso que sinto saudade daqueles primeiros tempos de São Paulo, uma cidade com uns doze milhões de habitantes, correndo a todo vapor e amando com todo ódio, odiando-se com todo amor.

Descia a pé a Maria Antônia, pegava a Consolação, Praça da República, Barão de Itapetininga. A caminho do ponto do ônibus do Estadão, passava todos os dias na Livraria Francesa para ver se a revista Actuel já tinha chegado. Fazia também um pitstop na Brasiliense, onde comprava os livros do Circo de Letras, das Cantadas Literárias, os livrinhos do Encanto Radical e os Primeiros Passos.

Uma vez por semana, passava na Woop-Bop. Era tempo de Madness, Nina Hagen, Specials, Violeta de Outono, Billy Bond, Mercenárias e Fellini. Quando tinha tempo passava também no Museu do Disco, na Breno Rossi e no Sebo do Messias atrás de velhos exemplares da revista Senhor.

De vez em quando, quando a fome apertava, costumava parar numa daquelas pastelarias de chineses e comer uns dois pasteis quentinhos, que eram servidos em pratinhos de alumínio, bem leves.

São Paulo pra mim era isso. Depois do jornal, tarde da noite, quantas vezes não fui ao Gigetto comer um cabrito com brócolis ao lado do Plinio Marcos e do Ari Toledo? Virgem santa que a fome era tanta, que fome danada que eu tinha.

De tempos em tempos dava uma esticada no Pirandello pra saber as últimas da profissão. Era a Isto É lançando um guia da cidade chamado Sampa e o Jornal da República sendo enterrado. Queríamos sempre saber que beldade estaria no próximo ensaio daStatus, quem era o entrevistado das páginas amarelas de uma revista que se chamava Veja e quem era o gigante do jazz que estava na banca da esquina.

Saindo do forno, costumava levar pro Pirandello o suplemento Cultura do Estadão porque, quem sabe, encontraria ali alguém interessado em ler Alexis de Tocqueville?

Sábado era dia de comer um bife à milanesa com creme de espinafre no Jotas e domingo ir na feirinha do Bexiga para, quem sabe, encontrar aquele vinil Do Guarani ao Guaraná, do Sidney Miller.

Não tenho do que me queixar. Encontrei aqui um novo amor, tive mais duas filhas, escrevi livros e plantei uma árvore, um pé de ameixa que está lá na Avenida Higienópolis até hoje, enorme.

Fiz muitos amigos que quase todo fim de semana vão à minha casa, chegam cedo e vão embora só tarde da noite porque o papo é sempre bom e não tem fim. Passei pelos dois principais jornais da cidade e por quase todos os canais de televisão.

Ainda ando pelas ruas cantarolando baixinho Sampa e Ronda. “De noite eu rondo a cidade/A te procurar sem encontrar/No meio de olhares espio/Em todos os bares/Você não está”. A música de Vanzolini não tem muito a ver comigo não, mas gosto de cantarolar porque é muito bonita, a cara da cidade.

A cara de São Paulo é, na verdade, a Rê Bordosa, o Meiaoito,  o Wood & Stock, o Geraldão, os Piratas do Tietê. O Ritz, o Spot, o Sabiá, o Casserole. A cara de São Paulo é o farol, o xerox com acento, o shorts, um chopps e dois pastel. E eu não, mas gosto muito daqui.

Por que será que ainda me sinto meio estrangeiro nessa cidade que, apesar de todo defeito, te carrego no meu peito? Eu me sinto estrangeiro em São Paulo simplesmente porque, trinta e quatro anos depois, eu ainda confundo. Não sei qual é a Heitor Penteado e qual é a Teodoro Sampaio. Não tem jeito.

[Crônica semanal publicada no site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br


Admirável Mundo Novo

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Helen Zille, líder do Congresso Nacional Africano (CNA) dá um selinho num morador do bairro de Chris Hani, em Hammanskraal, África do Sul, durante um comício do partido. As eleições presidenciais estão marcada para 7 de maio.

[foto: Marco Longari/AFP]

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