Fala sério!

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Maíra Scombatti, que pilota o blog Conversas de Gente Grande (www.conversasdegentegrande.com.br) apaixonou-se por crianças desde que começou um contato diário com elas, dando aulas de teatro. Foi colecionando histórias e agora resolveu passar pro papel, mais precisamente pro delicioso livrinho Conversas de Gente Grande, editado pela Com-Arte. Com um fim de semana pela frente eu, sinceramente, se você você, corria até uma livraria e compraria o livro. Vai ser um sábado e um domingo bem divertidos. Aqui, um aperitivo:

De volta para o futuro

De vez em quando a Olívia gosta de ficar brincando de dirigir com o carro desligado e sua mãe ao lado. Em um desses dias, ela parou no meio da brincadeira e disse com animação: “Mamãe, quando você ficar pequenininha, você vai sentar na minha cadeirinha, tá?”

[do livro: Conversas de Gente Grande]





Sabe quem morreu?

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Quando passou dos setenta, o meu pai começou com uma mania. Acordava todo dia cedo, ia até o alpendre e pegava em cima do capacho o jornal Estado de Minas. Entrava e, na copa, sentava-se numa confortável cadeira colonial, colocava o jornal em cima da mesa, arrumava os cadernos e ia direto saber quem morreu.

Numa Belo Horizonte meio provinciana ainda, era raro o dia em que ele não encontrava nas páginas daquele jornal, um morto mais ou menos conhecido. Se não era amigo, conhecia pelo menos de nome.

– Deve ser parente de Chaim, porque o sobrenome é Mitre!, dizia ele.

Meu pai, apesar de morrer de medo da morte, sempre brincava com ela. Adorava contar piada de morto e quando morria uma pessoa que não conhecia, costumava dizer:

– Morreu, morreu! Antes ele do que eu!

Ainda não cheguei aos setenta, mas acho que herdei do meu pai essas manias de colocar os cadernos em ordem e ir direto na seção de obituário do jornal. Só que ao invés do Estado de Minas, é a Folha de S.Paulo.

Tenho, como ele, uma cadernetinha com os aniversários de todos os parentes, amigos e amigas. De uns tempos pra cá, anoto também o dia da morte quando, infelizmente, isso acontece.

Confesso que, até os sessenta anos, ao sentar na cabeceira da mesa, ia direto ao “Erramos”, aquela coluninha que fica ali embaixo, na página 3. Mas agora, estou preferindo ir direto aos mortos. Não que São Paulo seja uma cidade pequena ou provinciana como aquela Beagá dos anos 60. É muito raro eu conhecer um morto da Folha, mas eu me divirto muito com os títulos, com todo respeito a eles, os mortos.

Conheço muita gente que trabalha na Folha mas não faço a menor ideia quem faz esses títulos. Não sei se você já se atentou pra isso. Mas foi lendo no caderno Cotidiano que fiquei sabendo que, nos últimos dias, morreu um crítico de cinema que amava o Vitória, um homem que amava Iêda, a aviação e o agreste potiguar, um armênio que fez do Brasil o seu lar e um fotógrafo do Pantanal que conheceu João Paulo II.

Quem faz o título do principal morto do dia, pesca uma, duas ou três informações do texto e escreve simplesmente:

Um vaqueiro empreendedor

Uma mulher independente

Agrônomo amante da literatura

Narrou a saga ferroviária no país

Iluminou o Cristo Redentor

Ortopedista renomado, viajou pelo mundo

Sim, todos esses morreram porque, mais cedo ou mais tarde, todo mundo morre mesmo. Só nos últimos dias, o editor  registrou a morte do médico erudito da avenida Angélica, de um meticuloso cozinheiro libanês, de um homem que dedicou-se ao ensino em Bauru e outro que dividia a cama com os livros. Sem contar aquele que era reverenciado pelos músicos.

Fico imaginando o dia em que o responsável pela seção de obituário da Folha morrer. Quem será que vai fazer o título? Que título?

Jornalista, trabalhava na Folha e fazia títulos

Sim, talvez.

[Crônica semanal publicada no site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br

[foto: Alberto Villas]


Vamos lá, Pacheco!

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Faltam apenas 14 dias pra começar o maior espetáculo do futebol. Vamos começar o 30 de maio lembrando de um personagem e tanto que surgiu na Copa do Mundo de 1982, na Espanha: o Pacheco! Quem lembra dele, daquele torcedor fanático que tomou conta do Brasil? Os tempos eram outros, estávamos nos preparando para dar bye bye a uma ditadura militar que já durava quase 20 anos. O brasileiro era conhecido no mundo inteiro como um povo alegre e bem humorado. Lembra? Vamos lá, Pacheco! Vai que é sua!

 



#vaiterquarto

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O jornal francês “Libération” mostrou para os seus leitores o que é fanatismo, ao fotografar o quarto da torcedora Marilza Guimarães da Silva, de 63 anos, moradora de Brasília e uma das mais fervorosas torcedoras da Seleção Brasileira.

[foto: Reuters]

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Um luxo

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A edição brasileira da “Granta”, uma das mais prestigiosas revistas de literatura do mundo, chega ao seu número 12. Um número totalmente dedicado ao Líbano e a Síria. Entre os colaboradores, Rachid  El-Daif, Rawi Hage, Samar Yazbek e Guga Chacra, comentarista do programa Em Pauta da GloboNews. A revista apresenta ainda, nas páginas centrais, um ensaio fotográfico de Carlos Lobo. Você encontra a “Granta” nas boas casas do ramo.

[foto: Reprodução]



O país do futebol

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Faltando 14 dias para a Copa do Mundo, esse 29 de maio começa alertando para as loucuras que andam circulando nas redes sociais. Depois da notícia daquele imaginário jornalista dinamarquês que teria desistido de cobrir a Copa no Brasil por causa da violência e da desorganização, depois de um texto falso atribuído à revista “France Football detonando o Brasil, agora vem à tona uma outra informação mentirosa. Circulou ontem nas redes, que a mesma revista teria chegado às bancas da França com uma capa preta, um protesto contra a Copa do Mundo no Brasil. Na verdade, a revista que chegou ontem às bancas é esta ai, bem colorida.

[foto: Reprodução] 



Parque dos Dinossauros

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No Museu de Paleontologia Égido Feruglio, na Argentina, uma menina observa atentamente o maior fêmur de um dinossauro já encontrado até hoje. O dinossauro, dono deste osso, teria aproximadamente 40 metros de comprimento por 20 de altura. Ele foi encontrado na Patagônia.

[foto: Maxi Jonas/Reuters] 

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Previsão

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Depois da vitória da extrema-direita nas eleições do final de semana na França, a revista semanal de informação “Le Nouvel Observateur” chegou hoje às bancas com uma constatação na capa: “Isso vai acabar mal…”  O objetivo de Marine Le Pen agora é tornar-se presidenta da República em 2017. Aguardemos os acontecimentos.

[foto: Reprodução]


O Pequeno Notável

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Dá gosto ver, não dá? O carrinho dos tempos modernos, ideal para essas cidades superpovoadas, aquele que cabe em qualquer cantinho, o Smart agora é também elétrico. Como diz a propaganda

publicada no último número da “Cahiers du Cinéma”… “Bye bye frentista!”. Pena que custa tão caro.

[foto: Reprodução]  


Ladeira da Memória

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Pro dia 28 de maio nascer feliz, vamos começar falando de música e cinema. Cinema, trata-se de um dvd que está saindo do forno: “Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista”. Início dos anos 80, a abertura batendo asas e eis que surge na cena da paulicéia, Itamar Assumpção, a banda Isca de Polícia, Paulo e Arrigo Barnabé, Luiz Tatt, Ná Ozetti, Passoca, Alzira Espíndola e tantos outros. Vieram pra fazer um certo barulho, balançar o coreto. Essa turma tinha um QG, o Teatro Lira Paulistana. Tantos anos depois, reuniram o que foi possível reunir e chegaram a um documentário superbacana sobre aqueles anos que mexeram com a vida cultural da maior cidade da América Latina. Pra completar, o Sesc gravou um disco reunindo os afluentes dessa vanguarda. Você vai encontrar no cd Marcelo Pretto cantando “Nego Dito”, Carlos Careqa cantando “Londrina”, Nei Lisboa cantando “Alma não tem cor”, Mariana Aydar e Mario Manga cantando a deliciosa “Padaria” e muitos mais. Sem contar com o auxílio luxuoso de Chico Buarque cantando “Ladeira da Memória”, que você pode ouvir agora. É só ir um pouquinho mais abaixo.

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Sampa

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Viver em São Paulo é isso. As pessoas reclamam das filas nos bancos, no atendimento do SUS, nos restaurantes, nos pontos de ônibus mas, pensando bem, é gente demais. Esta foto foi feita numa estação de metrô da cidade pelo fotógrafo Chico Ferreira, da Reuters, e publicada no jornal francês “Libération”. É muita gente.

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Tintin!

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Nesse mundo cada vez mais virtual, em que a gente acha que ninguém mais quer juntar papel, colecionar selos ou guardar revistas e jornais, uma surpresa. Sábado passado, um desenho do belga Hergé, o criador de Tintin, foi vendido na França pela bagatela de 2,5 milhões de euros. O desenho de Tintin foi feito em 1937. O comprador anônimo disse em off ter certeza que fez um ótimo negócio.

[foto: Reprodução]