A volta dos que não foram

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Faltam 16 dias pra Copa do Mundo. Já ouvi várias vezes em diversos telejornais, o povo dizendo na rua que “o Felipão vai trazer a taça pro Brasil”. Agora chegou a vez do SBT colocar um desenho animado com o dono da emissora e um jingle que diz: :Vai lá, Brasil! Volta com a taça na mão”. Eu pergunto: Vai lá, pra onde? Volta, pra onde?

[foto: Reprodução TV] 

Três opinões

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Dois leitores e uma leitora escreveram para a revista “São Paulo” comentando a questão da instalação dos corredores de ônibus em São Paulo que eu, como usuário, só tenho elogios a fazer. Veja os comentários.

 

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[Reprodução: Folha de S.Paulo]

 

Pense na Síria

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Imagine. Nos últimos três anos, mais de 150 mil pessoas morreram na Síria, vítimas de uma guerra civil cruel e implacável. Dessas 150 mil pessoas, mais de 50 mil são civis . Só crianças, foram 8.607 que morreram vítimas de ataques, explosões e balas perdidas. Olhe com atenção essa foto e imagine a dor de um povo. São pessoas que tentam voltar pra casa, no meio de uma pequena e frágil calmaria. É gente que escapou – por enquanto – das forças do ditador Bashar al-Assad e está ali no olho da rua em busca de uma vida, uma forma de vida. Perdidos, desorientados mas, felizmente vivos e dispostos a reconstruir um país, livre e democrático.

+ clique na foto para ver melhor +

País das Maravilhas

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Quem for ver a magnífica exposição da artista japonesa Yayoi Kusama, no Instituo Tomie Ohtake, em São Paulo, não pode deixar de passar na livraria do Instituto para dar uma olhada no livro “Alice no País das Maravilhas”, ilustrado por Yayoi Kusama e publicado no Brasil pela Globolivros. Como a exposição é gratuita, vale a pena investir 59 reais no livro que é uma verdadeira obra-prima.

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[fotos: Alberto Villas]

O sucesso do ratinho

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A prefeitura de Paris encomendou uma pesquisa para saber quais são as revistas mais lidas nas bibliotecas públicas da cidade. A sondagem realizada pelo Paris Data, revelou uma surpresa. Em primeiro lugar aparece “Le Journal de Mickey”, uma revistinha semanal com histórias de Walt Disney, uma das mais antigas da França. A revista semanal de informação “Le Nouvel Observateur”, de inclinação socialista, apareceu em décimo-segundo lugar e a conservadora “L’Express”, em décimo-oitavo.

Pedindo água

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No dia 26 de maio de 2002, a sonda 2001 Mars Odyssey mandou para o Planeta Terra, a notícia de que havia encontrado sinais de um grande depósito de água no Planeta Marte. A notícia foi festejada por todos os cientistas da Nasa. Hoje, doze anos depois, lançamos aqui um pedido: 2001 Mars Odyssey, por favor, faça uma escala em São Paulo! Quem sabe você encontre água por aqui também?

[foto: NASA]

Encaixotando Bob Dylan

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Já está à venda na Livraria Cultura a caixa que reúne 41 discos de estúdio de Bob Dylan. Praticamente toda a obra do mestre do rock & folk, está aqui, com as capinhas originais mas, infelizmente sem os encartes. Falha compensada com o livro que acompanha a caixa, descrevendo a história de cada um dos discos. Uma obra prima, que começa com “You’re No Good”, lá no início dos anos 60 e vem caminhando até hoje, firme e forte. Difícil saber qual o melhor disco. Aposto neste abaixo. O preço é salgado: 1.540 reais mas, pensando bem, as obras completas de Bob Dylan não tem preço.

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[fotos: Reprodução]

A Origem do Mundo

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A idéia é muito boa. A partir de “A origem do mundo”, o mais famoso quadro do pintor francês Gustave Coubet, de 1866, o escritor chileno Jorge Edwards construiu uma história fascinante de amor e ciúme, com pitadas de política e intrigas. O romance é um grande conto, um romance enxuto para ser sorvido de uma só vez. Edwards, considerado um dos mais talentosos escritores da geração de 50, venceu o prêmio Cervantes em 1999 e é um estudioso de Machado de Assis que, vira e mexe, coloca suas asinhas de fora nesse “A Origem do Mundo”.

A Origem do Mundo – Jorge Edwards – Tradução de José Rubens Siqueira – Cosac Naif – 160 páginas – 29.90 reais 

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Jovem observa “A Origem do Mundo”, de Gustav Coubet.

[fotos: Reprodução]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ô de casa!

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Acredito que acabei me adaptando a esse mundo moderno. Esse mundo de Facebook, Instagram, WhatsApp, Easytaxi e Taxibeat. Sinto saudade de quê? De um álbum de retratos com as folhas separadas por papel celofane, de um envelope verde e amarelo debaixo da porta? Talvez. Mas saudade de rebobinar uma fita K-7? Nenhuma.

Algumas coisas custei a me adaptar. Escrever direto no computador, bater fotos sem filme, ter uma agenda eletrônica, ler no tablet. Mas hoje acho tudo isso o máximo, ao ponto de não ter a mínima saudade da minha Remington, dos filmes Ektachrome ou da minha agenda Pombo com capa de couro. Ler no tablete estou em processo de transição. Sou do tempo do grande jornalista Myltainho, que adorava o cheiro de livro. Antes de comprar um, sempre cheirava.

Às vezes vivo uma vida dupla. Ouço Nara Leão mas ouço Tiê. Ouço Beatles mas ouço O Terno. Compro um CD mas muitas vezes esqueço de abrir o encarte. Ao mesmo tempo, passo horas admirando a capa de um vinil dos Alman Brothers, por exemplo. Sonho em ter um carro elétrico mas ainda gosto do cheiro de gasolina.

Amo folhear um número amarelado da revista Senhor mas adoro quando chega pelo correio a última Geo. Uso uma Pilot ponta fina 0.5, mas guardo num armário com porta de vidro na minha revistaria, uma belíssima Parker 51.

Fico aqui refletindo essas coisas e coloco uma música do Nando Reis pra ouvir.

Será que eu falei

O que ninguém ouvia?

Será que eu escutei

O que ninguém dizia?

Eu não vou me adaptar
Vou sim. Já me acostumei a comprar pela Internet, a por um programa pra gravar, a colocar uma foto de pé no Facebook, a organizar as fotografias no iPhoto, a fazer o check-in automático na GOL, a preparar um café na máquina Nespresso. Pensando bem, considero isso um progresso.

Eu não tenho mais a cara que eu tinha

No espelho essa cara já não é minha

É que quando eu me toquei

Achei tão estranho

A minha barba estava deste tamanho

Hoje cedo eu me lembrei da minha mãe à beira do fogão separando os marinheiros do arroz e tirando as pedras do feijão. Quando a campainha tocava, ela sempre exclamava:

– Quem será?

O mundo era assim. As pessoas iam na casa das outras sem avisar, sem hora nem dia marcado. Quando digo pessoas, muitas vezes eram famílias inteiras que iam visitar outras sem avisar. Chegavam de repente, sem mais nem menos. Por isso, toda vez que a campainha tocava, minha mãe exclamava:

– Quem será?

Quantas e quantas vezes, viajando pelo interior de Minas Gerais, o meu pai chegava a uma cidade tipo São Lourenço e dizia:

– Estou devendo uma visita ao Darci.

E lá íamos nós, pai, mãe e cinco filhos bater a campainha na casa de Seu Darci. Éramos recebidos com a maior fidalguia. Logo logo vinha o cafezinho quentinho, coado na hora, e o bolo de fubá saído do forno, fumegando. Pras crianças, Guaraná Champagne Antártica e biscoitinhos de polvilho.

Dificuldade tínhamos era de sair dali. Dona Tonica já tinha colocado o frango caipira na panela e não ficar pro jantar seria uma desfeita.

Por mais amigo que seja, quem hoje bate na porta do outro sem avisar? Tem três semanas que estou combinando um almoço com um grande amigo. Quando eu posso, ele não pode. Quando ele pode, sou eu que não posso. Já trocamos uns cinco e-mails e uns dez recados pelo iPhone. Não tem jeito, o almoço ainda não pintou.

Estou pensando seriamente em sair daqui uma hora dessas, chegar na casa dele e tocar a campainha. Se não tiver campainha, vou bater palmas e gritar:

– Ô de casa!

 

[Crônica da semana publicada no site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br

[foto: Alberto Villas]

 

Coisa Boa

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Não acredito muito nessa história de que filho de peixe, peixinho é. Mas sou daqueles curiosos que compram discos de Julian Lennon, Sean Ono e Charlote Gainsboug. Não consigo ouvir o disco pensando que Julian é filho de John, apesar do timbre de voz idêntico. Nem que Sean Ono é filho de Yoko ou Charlote, de Serge. Sou apenas curioso e curioso fui ouvir o primeiro disco solo de Moreno Veloso, filho de Caetano. Moreno é da turma de Kassin e de Domênico, com quem já gravou discos em parceria. Agora parte pra carreira solo lançando “Coisa Boa”, disco gravado na Bahia, num clima zen, de paz total e absoluta. Quer conhecer um pouquinho? Ouça a canção que dá nome ao disco. Moreno é do bem.

O rei está nu

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Quando o jornalista e escritor Paulo Cesar de Araujo fez uma palestra na Casa do Saber, no Rio, há alguns meses, ele contou que estava terminando o livro “O Réu e o Rei”. O livro, que conta com pormenores a história do livro “Roberto Carlos em Detalhes” e sua proibição, ficou pronto e acaba de chegar às livrarias. Fui correndo comprar e já estou lendo. Começa assim: “Eu era apenas uma criança, de quase quatro anos, quando começou minha história com Roberto Carlos”. Não dá pra não ler.

O Réu e o Rei – Paulo Cesar de Araújo – Companhia das Letras – 551 páginas – 34.90 reais

Esse é o cara

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Se você anda cansado de ver aqueles mesmos deputados todos os dias falando a mesma coisa ao Jornal Nacional, preste atenção em Jean Wylllys, do Psol. Aqui, ele aparece em frente ao seu local de trabalho. Viva o Candomblé! Viva a Umbanda! Viva Jean Wyllys!

[foto: Reprodução Facebook]