O Iluminado

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Um visitante usa uma máscara de Led, numa das salas da exposição do artista francês Pierre Hyughe, em Los Angeles. O artista é conhecido por fazer intervenções artísticas em seres vivos. Veja uma de suas obras.

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[foto Jason Redmond]

Fim de Semana

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MÚSICA.

De grão em grão, Thiago Pethit vai nos brindando com belas canções. Depois de “Estrela Decadente”, de 2012, ele volta dois anos depois com um cd cheio de sonoridades modernas, bem de acordo com um novo tempo que se anuncia. Ouça “Story in Blue” para começar bem o final de semana.

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REVISTA.

A Rolling Stone brasileira de novembro, a de número 99, chega sempre com boas matérias. Não deixe de ler “O novo Brasil de Dilma” (os próximos quatro anos), “Amigo do Tempo” (os 72  anos de Paulinho da Viola) e fique sabendo porque Ratinho se transformou no maior salário da televisão brasileira. Nas bancas.

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LIVRO.

“As Sete Vidas de Nelson Motta” é um delicioso passeio pelos últimos 50 anos da música popular brasileira e do entretenimento em nosso país. A foto da capa, que se estica pela contracapa e pela orelha já mostra quem faz e quem fez parte desses 70 anos que o compositor está comemorando. Compositor, cronista, jornalista, animador cultural e comentarista político (!!!), nesses últimos tempos.

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1 Nelson Motta / 2 Jandira Negrão de Lima / 3 Vinícius de Moraes / 4 Linda Batista / 5 Chico Buarque / 6 Luiz Bonfá / 7 Braguinha / 8 Tuca / 9 A mulher do cachorrinho (que ninguém sabe quem é) / 10 Zé Keti / 11 Sidney Miller / 12 Dori Caymmi / 13 Paulinho da Viola / 14 João Araújo / 15 Capinam / 16 Caetano Veloso / 17 Torquato Neto / 18 Tom Jobim / 19 Edu Lobo / 20 Lenita Plonczynski / 21 Olívia Hime / 22 Helena Gastal / 23 Francis Hime / 24 Luiz Eça

[fotos Reprodução]

 

 

 

Encontro Marcado

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Depois de quase uma década sem pisar no Brasil, a primeira pessoa que procurei quando voltei foi Wander Piroli. Estava encantado com O Menino e o Pinto do Menino, livrinho infantil que um dia chegou pelo correio na Rue de la Roquette, presente de Marco Aurélio. Tão encantado, que mandei uma carta pro Piroli e ele respondeu rapidinho, surpreso ao saber que o menino e o pinto do menino tinham ido tão longe, chegado a Paris. Tivemos uma curta e emocionada troca de correspondência e ai eu voltei.

Estava assustado. Deixei o aeroporto de Zurique coberto de neve e cheguei ao Galeão numa terça-feira de carnaval, Rio 40 graus. Estava assustado com aquelas mulheres de bustiê no aeroporto da Cidade Maravilhosa, seminuas, diferentes das suíças com os seus mantôs pretos e elegantes na Zurique que ficou pra trás, ao som de Béla Bartók.

Havia combinado com Piroli de encontrá-lo assim que chegasse, para  conhecê-lo pessoalmente. Marcamos um encontro naquela noite mesmo, num boteco perto da redação do jornal Estado de Minas, no centro de Belo Horizonte. Oito e pouco da noite eu estava lá, sentado numa mesinha dessas com toalha florida de plástico e, em cima, paliteiro, saleiro e uma lata de óleo Maria. Em poucos minutos, Piroli chegou.

Levantei a mão e ele logo me reconheceu. Veio abrindo caminho entre as mesas e me deu um grande abraço. Tinha nas mãos o livro A Mãe e o Filho da Mãe, que ganhei de presente para fazer companhia ao menino e ao pinto do menino.

O boteco estava enfumaçado e cheirava a linguiça calabresa. Piroli tomou a primeira providência, mandou descer uma Malt 90 estupidamente gelada. Enquanto fazíamos um tintim em copos americanos, o garçom trazia um prato transbordando de linguiça calabresa, aquela que espalhava um cheirinho bom pelo ambiente. Nos regalamos tomando cerveja e comendo aquela linguicinha com pãozinho francês.

Falamos de Paris, de Jean-Paul Sartre que havia nos deixado recentemente, da minha infância no bairro do Carmo, da infância dele na Lagoinha. Coisas de Belo Horizonte. Contei a ele dos pintinhos de um dia que ganhava todo final de ano quando comprava um Vulcabrás novo na Sapataria Elmo. Era mais ou menos a história que ele havia contado e me emocionado tanto naquele livro, presente do meu primo.

Wander Piroli não tinha cara de escritor. Cultivava um vasto bigode, acompanhado de um sorriso permanente. Observei que suas mãos eram gordas e grossas, rudes mesmo. Fiquei ali pensando que foram com elas que ele datilografou, talvez numa velha Remington, Os Rios Morrem de Sede, a história do Rio das Velhas, aquele que me acompanhava a caminho de Sabará, secando a olhos vistos.

Wander Piroli contou que gostava de pescaria, de pinga, de torresmo, de jiló à milanesa e de sinuca. Meu mundo não era mais esse, mas foi Wander Piroli que me acordou. Estava de volta ao Brasil, o País que precisava redescobrir.

Levei de presente pra ele um conto que havia escrito pouco antes de deixar Paris e uma caixinha de Spiritual Sky, um incenso da Índia, já que em uma de suas cartas havia falado das terríveis muriçocas que infestavam sua chácara. Achei que aquele incenso indiano poderia, além de perfumar seu refúgio, espantar as malditas muriçocas.

Piroli trabalhava no Jornal de Shopping e me encomendou um texto sobre minha volta ao Brasil. Cheguei em casa e fui direto pra maquina de escrever, não podia falhar. O texto foi publicado no domingo e começava assim:

“Tenho a impressão, meu irmão, que apaguei a luz do aeroporto de Orly, que fui o último exilado a entrar no avião da Varig com destino a Belo Horizonte, depois de anos e anos de saudade. Durante as doze horas de voo, passou  pela minha cabeça todos aqueles cartões postais coloridos da Mercator que não existiam mais. A Avenida Afonso Pena cheia de Opalas, Brasílias  e Chevettes, o Mineirão, a Lagoa da Pampulha, o Parque Municipal e uma praça chamada Liberdade.”

(Leitura recomendada: “O Matador” e “Três Menos Um é Igual a Sete”, de Wander Piroli, que acabam de ser editados pela Cosac Naif)

[Crônica da semana publicada no site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br

Pikettymania

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Essa semana, o livro “O Capital no Século XXI”, do economista francês Thomas Piketty, alcançou em sua terra, a marca de 1 milhão de exemplares vendidos. O livro de Piketty, recentemente lançado no Brasil, já chegou à lista dos mais vendidos em uma semana. Na China, foram 200 mil livros vendidos em duas semanas. Piketty está na capa da revista francesa “L’Obs” desta semana, sendo apresentado como o novo guru mundial. O ponto forte do livro é a discussão em torno da distribuição de renda na era capitalista em que vivemos.

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A edição brasileira, publicada pela Intrínseca.

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Em Pequim, corrida às livrarias.

[fotos Reprodução] 

 

Superpopulação

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A semana fecha com uma notícia surpreendente. Acaba de sair o censo do número de bonequinhos Lego que existem no Planeta Terra. Nada mais nada menos que 2 bilhões e 700 milhões de pequenos seres coloridos, com 7 centímetros de altura,  já foram fabricados em suas diversas fábricas espalhadas pelo mundo. Para uma população mundial de 7 bilhões de seres humanos e a fabricação de uma média de 100 milhões de bonequinhos Lego todo mês, a briga pela superpopulação do mundo promete.

[foto Reprodução]  

Cicatrizes

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Mulheres que foram submetidas a um procedimento de esterilização no Hospital de Bilaspur, na Índia, esperam o momento de receberem alta. Das 83 mulheres que se submeteram ao procedimento no último dia 13 de novembro, 14 morreram.

[foto Anindito Mukherjee]

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Sem Limite

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O tabloide semanal satírico “Charlie Hebdo”, aquele que sofreu um atentado depois de publicar uma charge de Maomé, continua aprontando. O humor do jornal não tem limite. Hoje ele chegou às bancas mostrando, na capa, um desenho do francês Maxime Hauchard, acusado de fazer parte do grupo fanático Estado Islâmico e de ter decapitado “inimigos” na Síria. Na manchete: “Os grandes chefs franceses que fazem sucesso no estrangeiro”.

[foto Reprodução]

Comendo cru

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“Quem tem pressa, come cru”. Esse velho ditado é muito atual para esses tempos modernos. Assim que começou a circular uma foto da presidenta Dilma Rousseff, carregando um coala, ao lado do primeiro-ministro australiano Tony Abbott, num momento relax da reunião do G-20, opiniões começaram a pipocar no Facebook. No meu, surgiram comentários do tipo “essa mulher é mesmo ridícula”, “só mesmo essa ‘presidanta’ pra pagar esse mico”, “estou com dó dessa coala, que não pode escolher as amigas” e “essa Dilma é mesmo uma idiota”. Bem, assim que foram divulgadas novas fotos, com os mais importantes líderes do mundo, entre eles Barak Obama e Ângela Merkel, carregando o simpático coala, um silêncio tomou conta do Face. Aqueles que se arvoraram a criticar a presidenta, colocaram o rabo entre as pernas, como dizíamos antigamente.

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[fotos Andrew Taylor] 

Memória

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Em Praga, uma mulher acende uma vela na calçada, debaixo de um grafite do ex-presidente Václav Ravel, para lembrar a Revolução de Veludo, em 1989, reprimida pela polícia, e que acabou desencadeando no fim do regime comunista.

[foto Michal Cisek]

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