Diário do Japão 10

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Com o coração apertado, começamos a nos despedir do Japão, preparando para começar um ano novo. Confesso que passaria dias e dias escrevendo sobre esse país tão maravilhoso, que gostamos tanto. Sei que farei isso em crônicas para a Carta Capital e para a Viagem e Turismo. Fiquem de olho. Daqui a pouco estaremos em Shibuya para festejar, juntamente com milhões de pessoas, a ano de 2015. Saímos daqui com as melhores lembranças. Por exemplo:

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O sorriso das crianças, mesmo que apertadas num vagão do metrô.

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A mais avançada tecnologia como a das máquinas touch que vendem refrigerante.

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O olhar dos idosos, cheio de experiências.

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A paz e a serenidade.

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Os jardins maravilhosos.

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O bom gosto da sua moda e seu grafismo.

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O seu outono.

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E sua ousadia na hora de combinar cores, por exemplo.

[fotos Alberto Villas]

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Diário do Japão 8

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Passamos o dia em Kyoto, onde vimos;

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Templos deslumbrantes.

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Jardins maravilhosos.

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Uma gueixa fazendo selfie.

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Um idos esperando o trem passar.

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Uma japonesinha catando pedrinhas.

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Um motorista de ônibus com máscara e microfone.

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Uma bike pink.

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Um japonesinho comendo bolinho de polvo na rua.

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Restaurante com nome curioso, pra nós.

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Peixinhos vermelhos na calçada.

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E um genro fazendo macaquices.

[fotos Alberto Villas]

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Diario do Japão 7

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Acordar cedinho. O destino hoje é Kyoto. Milhões de pessoas circulam na estação Tokyo, nunca vi tanta gente junta, cada uma procurando o seu destino. Como são organizadinhos os japoneses. Cada um com sua mala pequena, sua marmitinha, seu jornal, seu smartphone dentro do vagão, esperando a hora – sempre exata – de partir. Antes, as “meninas” da limpeza, cada uma com um relojinho dependurado no peito e vestindo rosa, entram nos vagões fazendo a limpeza. Quase nada para limpar já que os japoneses são incapazes de deixar um palito cair no chão.

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As “meninas”da limpeza esperando a hora de entrar no vagão

No meio do caminho, além do Fuji, tem um monte de montes, como este:

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Chegamos quase noite em Kyoto, uma chuva fina caindo sem parar, quase garoa. Aproveitamos pra ir direto ao templo Kinkaku, talvez o mais bonito da cidade. Fomos de ônibus, um ônibus cheio, típico transporte urbano que leva os moradores para todos os cantos da cidade. O caminho para chegar ao templo é assim:

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E o templo, uma das coisas mais lindas do mundo:

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Não há quem não pegue o seu smartphone para um click:

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Me chamou a atenção, a japonesinha que olhava sem parar os incensos queimando, as pessoas abanando a fumaça para os seus rostos, purificando e fazendo os seus pedidos para 2015, que começa daqui a pouquinho. No fundo, no fundo, acho que ela também estava pensando num 2015 melhor, com mais paz e serenidade no mundo.

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[fotos Alberto Villas]

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Diário do Japão 6

 

 

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Caminhando pelas ruas de Tóquio hoje, eu vi:

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Motocicletas com placa cor de rosa.

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Cenouras com quase um metro de comprimento.

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Árvores agasalhadas.

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Homem com máscara caminhando no parque.

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Bebezinho dormindo nas costas da mãe.

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Yakult num supermercado.

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Uma bandeirinha do movimento gay na porta de um bar.

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Um vinil do Som da Pilantragem numa loja de discos.

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Uma propaganda com o Neymar.

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Um comerciante servindo chá ao cliente na rua.

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Um velocípede antigo na calçada.

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Guaraná Antarctica num mercadinho.

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E um pardal ciscando no asfalto.

[fotos Alberto Villas]

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Diário do Japão 5

Diário do Japão 5

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Continuamos maravilhados cada vez que entramos na seção de frutas e legumes de um supermercado para fazer nossas compras pro café da manhã, que sempre tomamos em casa. É de encher os olhos. As frutas não são muitas mas, como são caprichosamente arranjadas nos cestinhos. Ainda não vi uma laranja por aqui. Tem muita mexerica, muito morango, muita banana. Já vi até mamão das Filipinas e abacaxi da Costa do Marfim. Tudo embrulhadinho um a um em papel celofane, como se fosse para presente. Os pacotinhos de tomate cereja são minúsculos, com uma meia dúzia cada um. Cebolas, pepinos, alho, tudo embrulhadinho um a um. Hoje fomos ver uma exposição bem bacana do Michel Gondry no Museu de Arte Contemporânea. Dá gosto ver a organização de cada museu, a educação dos funcionários, a gentileza. As lojinhas dos museus são de deixar a gente com o queixo caído. Haja yens! Resolvemos almoçar no museu, uma comida bem gostosa, um vinho bem gostoso e um cheesecake com sorvete de maçã verde indescritível. Na hora da conta, trazem o papelzinho dentro de uma bandeijinha e lhe entregam com as duas mãos. Tudo aquii é feito com as duas mãos. O tempo continua bom pra época, mais de dez graus durante o dia sempre de sol. De noite, a coisa aperta. Um dia inteiro de passeios pela cidade. Nosso jantar de Natal foi em casa. No menu, risoto de cogumelos. Ah, como foi difícil achar esse arroz de risoto! De sobremesa, umas guloseimas japonesas que a Lina trouxe. A Lina está morando aqui há alguns meses, trabalhando como modelo e estudando japonês. Contou casos bem engraçados e nos revelou segredos japoneses do dia a dia. Como eles trabalham! Os palitinhos de batata doce estavam deliciosos.   Aliás, batata doce aqui é doce mesmo. Comi uma flambada num restaurante, como sobremesa. Como pode uma cidade como Tóquio, as pessoas andarem de bicicleta na calçada, na maior harmonia com os pedestres? Continuamos apaixonados com tudo. Tóquio é uma cidade deslumbrante. Não imaginava uma cidade assim, meio cinco vezes Nova York. Amanhã tem mais.

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Um velhinho cochilando no metrô

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O design e a limpeza dos banheiros, coisa de japonês

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A bicicleta, sempre bem vinda

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Um japonesinho, depois de participar de uma cerimônia de casamento

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Tomates no supermercado

[fotos Alberto Villas]

 

Diário de Tóquio 4

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Sair andando pelas ruas de Tóquio continua sendo algo fascinante. Descobrindo cada detalhe de sua modernidade, trombando com o passado, o presente e o futuro. Sinceramente, dá vontade de entrar em todas as lojas. Hoje, depois de vermos uma exposição bem bacana do Willem de Kooning no Bridgestone Museum of Art, onde também estão Picasso, Monet, Manet, Sisley e outros gênios, resolvemos dar um rolê em algumas lojas. Da Uniglo a Itoya, passando pela Muji. Dá pra passar um dia inteiro em cada uma delas. A papelaria Itoya quase me enlouqueceu com suas dezenas de cores pastéis de envelopes e papéis. Em cada andar, o negócio é respirar fundo. Pensar no bolso e na mala que vai voltar pro Brasil e passar pela pesagem. A Muji, uma das lojas mais bacanas do mundo, ninguém resiste em comprar roupas, bloquinhos, lápis de cor, objetos não identificados.  Foi lá que meu genro encontrou um suco de maça com uma das embalagens mais lindas do mundo. Almoçamos na Muji, um restaurante que mistura o tradicional com o contemporâneo, uma delícia. Continuamos andando pelas ruas, passando pelos extintores cromados, os jardins cuidadosamente conservados, observando o asfalto da cidade que é um tapete e uma maquininha que marca os decibéis de cada obra da cidade, tão silenciosa. Encontramos de tudo. De bicicletas com arranjos florais a toalhinhas secando nas calçadas. Fomos jantar num restaurante que mais parece 1984, ou melhor 2084. Você vai escolhendo o que comer numa tela e, em poucos minutos, o pedido vai chegando, sabe Deus de onde. Tóquio é de virar a cabeça da gente. Na noite de Natal, uma surpresa. Centenas de pessoas fantasiadas de Papai Noel andando pelas ruas superlotadas. Cada modelito sensacional. Todos fazendo questão de tirar fotos, de mandar beijinhos, tiauzinhos e um Feliz Natal a todos. Amanhã tem mais.

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O arranjo floral na bicicleta.

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A maquininha que indica o barulho da obra.

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As toalhinhas secando na calçada.

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Hora do passeio dos bebês.

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Ho ho ho!…

[fotos Alberto Villas]

Diário do Japão 3

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O frio por aqui em Tóquio de 10 graus, nesse início de inverno, tem sido apenas um frio, nada de atrapalhar passeios. Todo dia quando acordamos e abrimos a cortina, vimos um céu azul e muito lindo. E sol. Mas as pessoas circulam de casacos e boinas. Muitos, de bicicleta, caminham contra o vento. O dia começou com um passeio no parque. Os parques de Tóquio são enormes e muito bem cuidados. Chegamos ao Zoo porque todos queriam ver o urso panda ao vivo e em preto e branco. Lá estavam eles, dois, comendo bambu sem parar. A multidão em torno dos fofos é impressionante. Todo mundo querendo fotografar, filmar, fazer um selfie. E eles lá, tranquilhões. Sem dúvida, o maior Ibope do Zoo. Ali pertinho, o National Museum of Western Art. Um show. Como é bom ver de perto um Modigliani, um Picasso, Manet, Monet, Pissaro, Dufty, Mirò, todos esses gênios. Nosso almoço hoje foi no Sometaro, muito surpreendente. Um restaurante fora do comum, onde os pratos são feitos na hora e numa enorme chapa que fica na nossa frente. Comemos – literalmente – de joelhos. Como as pessoas são gentis. O garçom fez questão de sair lá fora pra tirar uma foto de toda a família reunida. As garrafinhas de saquê, que são lindas, trouxemos de lembrança. Temos seguido algumas dicas de amigos e amigas, todas elas impecáveis. O kit-kat cerejeira é divino, viu Maria Julia? Ah, não poderia deixar de clicar a beleza de uma vendedora de amendoins na rua, né? De noite, fomos na Disk Union, onde comprei todos os cds do Egberto Gismonti que o Brasil nunca deu pelotas, sem contar o primeiro do Hermeto Pashoal, a música jovem. A loja é de pirar. Até o novo Tom Zé já estava lá, sem contar o primeiro cd dos nossos amigos do Terno. Noite de papo no flat, de Saporo e vinho branco. Amanhã tem mais.

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Com o pacote de Gismontis na mão

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O novo Tom Zé

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A vendedora de amendoim

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O urso-panda, ao vivo

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Um homem lê na porta do National Museum of Western Art

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Na porta do Sometaro

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Japinha bebe um suco Tropicana num dos parques da cidade

[fotos Alberto Villas]

[foto Union Disk e Sometaro: André Biondani]

 

Diário do Japão 2

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Cada minuto que passo em Tóquio, eu me pergunto como pode uma cidade tão populosa funcionar tão bem. Nunca vi povo mais organizado. Organizam filas para as pessoas entrarem no elevador, mesmo que a fila tenha duas pessoas. Quando você entrega o cartão de crédito, seguram delicadamente com as duas mãos, inserem na maquininha com as duas mãos, pedem educadamente para assinar na tela e depois te devolvem o cartão com as duas mãos, numa cerimônia quase budista. Nada de “pode inserir/pode tirar”, como estamos acostumados. Tem gente organizando o movimento nos metrôs, nos museus, na rua, nos supermercados, em todos os lugares. Hoje fizemos passeios inesquecíveis. Fomos ver no alto de 53 andares, a exposição de Tim Burton que está correndo o mundo. Fomos ao Mori Art Museum e caimos de queixo quando entramos no 21-21 Design Sight. Um espetáculo do que há de mais moderno e surpreendente no mundo do design. Adoramos a sala em que vídeos mostram as soluções que pessoas do mundo inteiro enviam para os seus problemas. Da vendedora de amendoins que vive atormentada pelos pombos de uma praça a idosa com artrite que não consegue vestir suas meias, passando pelo jovem que não consegue colocar o hamburguer no seu pão. Um espetáculo de arquitetura o prédio do 21-21. Ficamos meio bobos só observando. Temos comido gostoso em lugares bem gostosos a preços do Brasil. É só você sentar na mesa que lá vem o garçom com um copo d’água pra cada um. Sempre. Ficamos admirados com as embalagens nos supermercados, com os champignons embaladinhos em potes de plástico, germinando. Admiramos os limões embrulhadinhos um a um em papel filme e o tamanho das maçãs. Como é gostoso andar pelas ruas da cidade, ver tantas bicicletas e de todas as cores, que vão do vermelho, ao verde, ao rosa, ao azul. Lindas. Elas circulam nas calçadas, que são largar e lindas. Acho que se você perguntar para um japonês o que é uma calçada esburacada, ele não vai saber responder. Amanhã tem mais.

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[foto Alberto Villas]  

Diário do Japão 1

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Assim que colocamos os pés no avião da Turkish Airlines, acionei o cronômetro do meu Iphone. Foram 13 horas e 4 segundos até o pouso em Istambul. Três horas no aeroporto e voo novamente. Tempo para circular pelos corredores, fazer um lanche e nada mais. Mais 12 horas e 35 segundos até Narita. A primeira impressão do Japão é ótima. O aeroporto estava razoavelmente calmo e não foi assim tão difícil pegar o trem até a cidade. Chegamos a Shinjuku e parecia que dois táxis estavam nos esperando na porta do metrô. Para os dois motoristas entenderem que queríamos ir até o Citadines, o flat onde ficaremos, não foi fácil. Ele recorreu ao GPS e lá fomos nós ouvindo em japonês, aquela voz dizendo certamente “a duzentos metros, vire a esquerda”. Chegamos. Os quartos do flat são bacanas. Surpresa ao encontrar na portaria, no nosso escaninho, um wi-fi portátil que alugamos via Internet ainda no Brasil. Assim poderemos circular pela cidade sempre conectados. Saímos andando pelo bairro, um dos mais movimentados da cidade. Restaurantes por todos os lados, supermercados, a cada canto. Fizemos nossa compra pro café da manhã. Encontramos quase tudo: pão, leite, manteiga, ovos, geléia, Nescafé, suco de maçã, presunto. Não encontramos achocolatado. O domingo começou cedo. Estamos adorando o flat, essa coisa de prepararmos o café da manhã e tomarmos ainda de pijama. O domingo foi de muitos passeios e surpresas. No parque Meigi-Jingu fizemos todos os nossos pedidos pra 2015. Encontramos um pedido feito no dia 26 de outubro, escrito em português, pedindo para Aécio ser o nosso presidente. Não funcionou. Atravessamos, ou melhor, fomos atravessados em Shibuya, o mais movimentado cruzamento do mundo. Segundo o Datafolha, deveriam ter uns dois milhões de japonêses naquele pedacinho de Tóquio. Descemos toda a rua Takechita, uma espécie de 25 de Março multiplicada por mil. Tem de tudo que se possa imaginar. Não conhecemos nenhuma cidade no mundo que tenha tamanha poluição visual, tantas placas com informações. À direita, à esquerda, em frente, atrás, no chão, no céu. Imperam as cores rosa, azul calcinha, laranja, roxo. Eles adoram. As primeira impressões: O metrô funciona muito bem. Algumas estações parecem laboratórios, azuleijadas de branco e com milhares de pessoas passando de máscara. Um em cada 5 japonês anda de máscara na rua. Paranóia total. Os garçons falam um pouco de inglês mas a gente entende melhor quando falam em japonês. Já imaginaram o sotaque deles, né? As ruas são limpíssimas e você não ouve ninguém falando alto. Máquinas de refrigerantes espalhadas pela cidade inteira. O interessante é você poder pagar com o cartão do metrô. Tóquio tem todas as lojas que gostamos: Apple, GAP, Dr. Marteen, Camper, H&M, Muji, essas coisas. Aqui tem Fanta melão, uma fruta que é paixão nacional. Compramos banana da Martinica. Lembra da Chiquita Bacana? Frio? Pouco. 10 graus. As árvores ainda tem algumas folhas verdes mas a maioria está seca, anunciando o outono que começa hoje. Muitas bicicletas pela cidade. Amanhã tem mais. A cidade é toda tecnologia. Enfim, estamos adorando Tóquio.

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[foto Alberto Villas]

A última canção

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Nunca poderia imaginar que numa ensolarada tarde de sábado, ficaria frente a frente com aquela mulher. Uma mulher de meia idade, morena, forte e decidida, que me perguntou:

– Que música o senhor vai querer?

Eu trazia Vivaldi na sacola de pano. Allegro PastoraleAdagio Molto, o Concerto Número 2 em Sol Menor e um Allegro non Molto. Vivaldi estava ali porque o meu sogro havia pedido música clássica na sua cerimônia do adeus.

A senhora nos avisou que tínhamos direito a dez minutos de música para nos despedirmos do Eduardo.

Um vento frio entrava pela fresta da porta daquela sala do Crematório de Vila Alpina, quando disse a ela que tinha trazido de casa um CD. Mesmo assim, ela me passou uma pasta com várias folhas de papel A4 plastificadas, com uma relação de músicas de despedida.

Logo de cara, na primeira página, dei com o Hino do Corinthians. Comentei com ela que achava estranho alguém ser cremado ao som do hino do timão. Ela comentou:

– É o que mais pedem.


“Salve o Corinthians
O campeão dos campeões
Eternamente dentro dos nossos
 corações
Salve o Corinthians de tradições e glórias mil
Tu és orgulho
Dos desportistas do Brasil”

Lembrei que meu sogro era corintiano roxo, ao ponto de não ter mais coração para ver na TV as grandes decisões. Preferia saber o resultado depois do jogo, para evitar fortes emoções. Mas, mesmo assim, para satisfazer o seu último desejo, insisti em Vivaldi ao invés do hino.

Curioso que sou, dei uma espiadinha no repertório que ofereciam naquela pasta já meio surrada de tão manuseada pelos parentes e amigos dos mortos. Tinha de tudo. Hinos de todos os times e canções que iam de Roberto a Fábio Junior, passando por Daniel, Chitãozinho e Xororó.

Achei curioso alguém querer ir embora desse mundo de meu Deus ao som de “Dois pra lá, dois pra cá”, por exemplo.

“Sentindo o frio em minha alma
Te convidei pra dançar
A tua voz me acalmava
São dois pra lá, dois pra cá”.

Daquele repertório imenso, a música que mais me chamou a atenção foi “Alô, Marciano”, de Rita Lee. Pensei cá com os meus botões: Quem deseja ir embora desse mundo ao som de Rita Lee?

“Alô Alô marciano
Aqui quem fala é da terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá a maior fissura
Porque tá cada vez mais down the hight society.”

Despedimos do Eduardo ao som das Quatro Estações e quando sai de lá, sai decidido a escolher a música para minha cerimonia do adeus. Primeiro, serão cinco minutos de Devendra Banhart cantando “Cristóbal”:

“Ropa rota
Negra gota
Yegua vieja
Lluvia dulce
Me acompanha
Por la noche
Hasta la manana
Hay um mundo más allá
Otro mundo más allá”

Depois, cinco minutos de Ronnie Von cantando “A Máquina Voadora”.

“Quero todo universo sem fim
As alturas vou subir
Vejo o espaço acima de mim
E por ele vou sumir
Vou vagar em pleno ar
Vou voar
Vou voar
Em meu brilhante pássaro de prata
Vou navegar pelas nuvens soltas
Leve para o alto
Toda minha vida
Meu aeroplano.”

Acho que vai ter gente achando Ronnie Von meio cafona cantando na minha despedida, mas faz mal não, eu já não vou estar mais aqui mesmo.

*O cronista sai de férias em busca de novas histórias, voltando ao encontro de vocês aqui, no dia  9 de janeiro

[crônica da semana publicada pelo site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br

 

 

História

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Rússia não. Cuba sim. A capa do “Libération”

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Obama anuncia em Washington o fim do bloqueio diplomático a Cuba.

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Num café de Havana, cubano vê pela TV, Raul Castro anunciando o fato histórico.

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