SÁBADO DE SOM

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Sou desses que adoro descobrir, conhecer, ouvir nossas novas cantoras. Hoje é dia de ouvir a cantora e compositora baiana Marcia Castro, que chega ao seu terceiro disco – “Das coisas que surgem” – cheio de novidades. Cinco composições próprias, além de releituras de Arnaldo Antunes, Torquato Neto e Monsueto Meneses. Ouvi e aprovei. E vou ouvir de novo.

[Reprodução]




RECUERDOS

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Quem tem filho, sabe muito bem o que é isso. Ainda mais quem tem quatro. Estou falando de quando eles crescem um pouquinho, vão pra escolinha e começam a trazer presentinhos pro papai e pra mamãe.

Quando eu era criança, comemorava-se tudo. Dia da árvore, dia do índio, dia da bandeira, era festa que não acabava mais. Nunca me esqueço de um dia do índio em que fui pro Colégio Marista com um cocar de penas enormes na cabeça, um verdadeiro Sioux.

No dia da bandeira, cantávamos enfileirados no pátio, o hino, que nunca me esqueci.

Salve lindo pendão da esperança!

Salve símbolo augusto da paz!

Tua nobre presença à lembrança

A grandeza da Pátria nos traz.

No dia da árvore, plantávamos mudas de pau-brasil na pracinha em frente ao colégio, plantinhas que, na verdade, nunca foram pra frente, nunca vingaram.

Nas escolinhas alternativas de hoje, a história é outra. Não tem muita comemoração não, mas o dia dos pais e o dia das mães não escapam.

Durante muitos anos, ganhamos quilos e mais quilos de presentes, os mais bizarros possíveis. Eu cheguei a reservar um gavetão aqui em casa para ir guardando esses presentinhos mas, com o tempo, eles foram descolando, se autodestruindo e acabaram um a um na lata do lixo. Meus filhos que não me ouçam.

Eram presentes inesquecíveis. Lembro-me bem, por exemplo, de um porta-retratos de isopor, todo pintado com ecoline, que mal ficava de pé. Mas eu até que estava bem na foto, cabeludo, camiseta manchada de água sanitária, tamanco e uma um bolsa a tiracolo. E aquele chaveiro de borracha cheio de pedacinhos de espelho e purpurina que chegou às minhas mãos já descolando?

Tinha de tudo. Cinzeiro de cerâmica, porta-velas de papel machê, moldura de papelão, sem contar os bonequinhos de massinha, inúmeros, cada um mais monstrinho que o outro. Juro que me emocionava quando acordava e encontrava no meu criado mudo esses recuerdos do dia dos pais, que vinham sempre acompanhados de bilhetinhos com um português ruim, mas que eu adorava.

“Ao melhor pai do mundo, um felis dia dos pai”

Com a mãe deles, era a mesma coisa. Nunca me esqueci de um pôster que ela ganhou no dia das mães, um verdadeiro retrato falado de uma das nossas filhinhas queridas. Nele, tinha a marca do pezinho feita com nanquim, as duas mãozinhas bem lá no canto, uma foto da família inteira reunida e um chumaço de cabelo loirinho, bem fininho, colado no meio do cartaz.

“Você é a mãe mais maravilhosa do planeta. Nunca ti esquecerei. Ti amo”.

O presente da mãe vinha sempre pipocado de coraçõezinhos vermelhos por todos os lados.

Pena que tudo foi se autodestruindo com o tempo, a cola era Tenaz e acabou ressecando e descolando, enfim, nada sobreviveu.

Ontem à noite, quando contei pra minha filha mais nova que ia escrever uma crônica sobre esses presentinhos, na hora era disparou:

– Lembra daquele porta-retratos de compensado, todo decorado com macarrão cru?

Sim, eu nunca me esqueci desse porta-retratos de compensado, pintado de azul piscina, mambembe, todo decorado com espaguete cru.

[Crônica da semana publicada no site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br

[ilustração Maria Clara Villas]



PROFISSÃO REPÓRTER

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O jornal “Libération” resolveu mergulhar de cabeça na grande reportagem. Enquanto por aqui, os jornais investem em matérias curtinhas, o “Libé” vai no caminho contrário, conquistando novos e velhos leitores. A edição de hoje, por exemplo, além da capa, tem uma grande reportagem de oito páginas sobre o grupo radical islâmico Boko Haram. Reportagem corajosa, provando que o jornalismo está vivo.

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[Reprodução]




BOLA FORA

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A revista britânica “The Economist”, que a cada semana prima por belas capas, acaba de dar uma bola fora. Para ilustrar a crise no Brasil que, segundo a revista que começa a circular hoje, “está no atoleiro”, misturaram carnaval com pântano. Uma capa com a cara da “Veja”. Estapafurdia!

[reprodução]




NOVOS TEMPOS

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Quando eu era criança, a minha mãe martelava na minha cabeça todos os dias: “Se você não estudar, vai virar carroceiro”. Em Belo Horizonte, havia muitos carroceiros circulando pelas ruas. Além de catar papel, eles compravam jornal velho e garrafa vazia. Eu mergulhava nos livros, morrendo de medo de um dia virar carroceiro. Hoje, tenho um carinho especial por eles. Mas, confesso que toda vez que vejo um, lembro-me da minha saudosa mãe. Hoje fiquei sabendo do projeto do prefeito Fernando Haddad de acabar com as carroças que ainda circulam por São Paulo. Ele está estudando um projeto de parceria com uma fábrica de bicicletas, na verdade triciclos, que substituiriam as velhas carroças. O projeto, além de proporcionar uma vida mais digna aqueles que puxam carroças, vai facilitar a circulação pela cidade, já que utilizariam as ciclovias. Villasnews apoia o projeto e torce para que ele avance e dê certo.

[foto de um modelo de triciclo utilizado para recolher material reciclado/reprodução Internet]




ESQUERDA, VOLVER!

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A revista-livro “Margem Esquerda”, publicada pela Boitempo, chega ao seu número 23, firme e forte. Sempre com ensaios muito bons, reflexões pertinentes para esses tempos que vivemos. Num dos textos, Roniwalter Jabotá faz uma homenagem a Gabriel Garcia Márquez, o grande Gabo. Nas boas livrarias. Leitura recomendada.

[reprodução]



OS CONDENADOS

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Entre 2011 e 2014, o fotógrafo Sébastien Malleghen, percorreu prisões na Bélgica com o objetivo de fazer retratos de presos, dando a eles um pouco de dignidade e beleza. O resultado deu a ele o prêmio Lucas Dolega 2015 de fotografia. Aqui, duas delas.

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[fotos Sébastien Malleghem]


A VOLTA POR CIMA

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A volta às bancas do jornal satírico “Charlie Hebdo” nesta quarta-feira, é assunto de capa do diário “Libération”. Depois de uma ausência de mais de um mês, desde que a redação foi praticamente dizimada por terroristas, o jornal sai com 2,5 milhões de exemplares, na esperança de reerguer as finanças e a força para continuar a luta. Abaixo, fotos feitas no dia do fechamento do número especial “Estamos de volta”.
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[fotos Julien Mignot]