O JORNALISMO VIVE

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O jornalismo brasileiro está morrendo. É o que andam sussurando nas esquinas. Por que será? Faltam ideias, faltam pautas, falta novidade, ousadia ou simplesmente falta ânimo. Aqui, dois bons exemplos como a notícia pode despertar a atenção do leitor. Depois do atentado na capital da Dinamarca, que visava matar o cartunista Lars Vilks, aquele que fez uma caricatura de Maomé em 2007, os jornais brasileiros se limitaram a publicar a notícia, baseada em textos de agências internacionais e nada mais. A revista semanal de informação francesa “L’Obs” publicou uma entrevista de quatro páginas com o sobrevivente, que tinha mil e uma histórias para contar. O segundo exemplo vem também da França. No dia seguinte da venda recorde de um quadro do pintor pós impressionista Paul Gauguin, pelo preço de 829 milhões de reais, nossos jornais se limitaram a dar uma foto legenda do quadro “Nafea Faa Ipoipo”, com a notícia e nada mais. O jornal “Libération” aproveitou para contar a história do quadro, do pintor, numa reportagem de duas páginas. De dar gosto de ler, gosto que estamos perdendo por aqui.

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[fotos Reprodução L’Obs/Libération]

SANGUE

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Ao mesmo tempo que a foto é de uma beleza irreparável, é também de uma tristeza sem fim. Trata-se de uma mesa numa cozinha na cidade de Donetsky, na Ucrânia, logo após um bombardeio.

[foto Sergei Ilnisky]

QUE JORNALISMO É ESTE?

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O “Erramos” está virando moda no jornalismo brasileiro. Com o detalhe que alguns jornais e revistas, simplesmente ignoram o erro. Passam por cima, fingem-se de mortos e vão em frente. Você lê uma notinha na coluna Radar, da revista “Veja”, por exemplo, e acredita. No dia seguinte, o personagem da nota solta um comunicado dizendo que tudo que estava escrito na nota é mentira. Ai, nós leitores, ficamos como? Leia a nota acima e depois leia o comunicado abaixo. Não é à toa que, dizem, as revistas e os jornais estão com os dias contados. 

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[reprodução Veja/reprodução Internet]

SUPLEMENTOS

 

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Suplemento de viagem do jornal “Público”, de Portugal.

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Suplemento de cultura do jornal “Il Manifesto”, da Itália.

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Suplemento de literatura do jornal “El País”, da Espanha.

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Suplemento de cultura do jornal “Folha de S.Paulo”.

[fotos Reprodução]

 

 

PASSANDO EM REVISTA

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Desde pequenininho, sempre fui um rato de banca de jornal. Menino ainda, ficava admirando numa superbanca da Savassi, em Belo Horizonte, aquelas capas maravilhosas da revista Senhor e aquele monte de Pato Donald empilhado ao lado dos meus super heróis. Depois veio aquele tempo adolescente, em que ficava aflito esperando os primeiros dias do mês pra comprar a Realidade, que sempre trazia uma capa surpreendente, como Luiz Carlos Prestes, Fidel Castro e Che Guevara, no auge da ditadura. Era um tempo também em que a Veja (que colecionava) punha na capa Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Caetano Veloso. Houve a época dos fascículos, em que namorava os Gênios da Pintura, Os Pensadores, Os Imortais da Literatura Nacional. Isso, sem contar a imprensa alternativa, o Movimento, o Opinião, o De Fato, o Coojornal, o Versus, as revistas Pomba, Inéditos, José, Ficão e Escrita. Era tanta coisa que eu me perdia. Muitas vezes O Sol nas bancas de revistas me enchia de alegria e preguiça. Quem não se lembra da edição underground da Rolling Stone, da Quatro Rodas com seus mapas rodoviários descartáveis, da Fairplay dentro do plástico embrulhando mulheres semi-nuas, ao mesmo tempo que embrulhava um conto de Rubem Braga? Eu parava diante de todas as bancas e ficava admirando aquele festival de publicações. Hoje, confesso que o sonho acabou. Ainda resisto bravamente e vou lá todos os meses comprar a Revista de História, a Vida Simples, a Superinteressante, a História Viva, a Gosto, a Bolinha e a Luluzinha. A Carta Capital, recebo em casa. Se alguém me perguntar o que quero de volta, sei lá. Como eu gostaria de atravessar a rua agora e comprar o Jornal do Brasil e puxar o Caderno B, como fazia todos os dias, durante anos e anos. Sim, morro de saudade do Caderno B do Jornal do Brasil.

 

DOMINGO DE SOM

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Encaixotaram Jorge Mautner! Hoje é dia de aumentar o som e ouvi-lo. A gravadora Discobertas acaba de colocar nas lojas uma simpática caixinha reunindo em quatro cds, a obra dos anos 80 do profeta do kaos. Apenas “Bomba de Estrelas” já havia saído em  cd. “Anti Maldito” e “Árvore da Vida”, estavam ainda apenas no vinil, disputados em sebos. O inédito da caixa é um show ao vivo com Gilberto Gil – “O Poeta e o Esfomeado” – gravado no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, em março de 1987. Tem preciosidades como “Positivismo”. “Marcha Turca”, “Hino da Figa”, “Você me chamou de nego”, além de músicas que viraram hits como “Maracatu Atômico”. “Oração pela Libertação da África do Sul” e “Cores Vivas”. Vem pra caixa, você também!

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[Reprodução]

SÁBADO DE LEITURA

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A Companhia das Letras começa a reeditar a obra de um dos grandes escritores de todos os tempos, o goiano José J.Veiga. Começou bem, com “Os Cavalinhos de Platiplanto”, publicado em 1959 e “A Hora dos Ruminantes”, de 1966. Dois clássicos do realismo fantástico. Lembro-me de ter lido muito jovem e sinto que é chegada a hora de relê-los. Recomendo, para este sábado pós carnaval, pós ressaca, início de ano novo.

[Reprodução]

BANCA DE JORNAL

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O jornal satírico “Charlie Hebdo” ressuscita ou não? Assunto de capa da “M”, a revista de fim de semana do jornal “Le Monde”.

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O novo governo grego é uma esperança “tipo grega”. Assunto da revista semanal francesa “Les Inrockuptibles”.

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A “Edição Global” da revista semanal do “New York Times” tem uma capa, no mínimo, polêmica.

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Na capa da “Wired”, o sexo na era digital.

[Reprodução]

ERRAMOS FEIO

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O site do jornal “Folha de S.Paulo” dá destaque hoje a um “Erramos” digno de entrar para a história. Será que é por esse erro grotesco que o jornal está compensando seus leitores com 15 dias de jornal grátis? Veja o anúncio ao lado do vexame.

[reprodução Folha de S.Paulo]

O ANJO DA GUARDA

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O meu quarto era simples, quatro paredes caiadas de branco, porta e janela pintadas de cinza. Duas camas coloniais, um criado mudo, um rádio transistor GE, um abajur, uma estante da Mobília Contemporânea onde guardava meus livros, minhas revistas, minhas miniaturas de carrinhos Matchbox e os aviõezinhos da Revell.

O armário era embutido, grande, cheio de prateleiras, armário que o meu pai mandou fabricar com o dinheiro que ele ganhou em Brasília, montando o Serviço de Meteorologia. Além das prateleiras, tinha seis gavetas onde eu guardava as meias, as cuecas, os lenços Presidente, meu uniforme de judô, a minha faixa preta e minha camisa do América.

Em 1966, 1967, o mundo era assim. Enquanto uma enchente monstruosa quase levava embora  Florença, um câncer matava Jack Rubin, o homem que atirou em Lee Oswald, o assassino do presidente americano John Kennedy.

Enquanto mais um ditador, o general Arthur da Costa e Silva, tomava posse como segundo presidente da República de uma era sombria em nosso país, guerrilheiros caiam nas mãos do Exército na Serra do Caparaó.

Enquanto os Beatles posavam com fardas coloridas para a capa do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, os hippies se espalhavam pelo mundo, ocupando o Central Park de Nova York e a Praça Dam, em Amsterdam, embalados por paz, amor, sexo, drogas e rock and roll.

O mundo perdia Walt Disney, aquele que publicava, todos os dias, um quadradinho no jornal O Globo chamado Maravilhas da Natureza e que eu, com uma tesoura Mundial bem afiada, recortava caprichosamente e colecionava numa pasta azul piscina de cartolina.

Na parede branca do meu quarto, além de duas fotografias emolduradas, a minha e a do meu irmão no dia da primeira comunhão, havia uma gravura que minha mãe pregara bem lá no alto. Era a imagem de um anjo da guarda guiando duas crianças, um menino e uma menina,  à beira de um riacho. Ele, com uma espécie de bambolê na mão e ela, querendo pegar uma bolinha vermelha e branca, à beira do abismo.

O anjo estava ali, com uma roupa azul , envolto a uma manta cor de rosa, asa e tudo. Com as mãos estendidas, ele parecia proteger os menininhos, evitando que eles rolassem rio abaixo.

Toda noite nós deitávamos e ficávamos olhando para aquele quadrinho dependurado lá no alto, iluminado por uma fresta que vinha da janela e batia bem em cima dele, como se fosse um feixe de luz mágico naquela  cena.

Toda noite, minha mãe passava pelo quarto, cobria cada um dos filhos e dizia dorme com o anjo da guarda. Para mim, esse anjo era aquele ali na parede que nos protegia. Que me ajudava a passar de ano mesmo sem saber nada de matemática, que me orientava para não me perder por aquelas ruas do bairro do Carmo e a me equilibrar naquela bicicleta Monark pneu balão que eu mal conseguia subir.

Era aquele anjo da guarda, branquinho como cera, que não deixava a correnteza me levar quando íamos pescar piabas com peneira e que me conduzia quando atravessava a BR-3 no meio daquele mar de caminhões FNM, que chamávamos de Fenemê.

Eu acreditava nele, confiava mesmo que nada de ruim ele deixaria acontecer na minha vida. Nas viagens que eu sonhava fazer, nas aventuras que imaginava viver, ele estaria sempre ali ao meu lado, com aquelas asas grandes a me proteger.

Um dia, eu sai de casa. Fui embora e nunca mais voltei a dormir naquele quarto. Lembro-me que o quadrinho com aquela gravura ficou ali por um bom tempo, sempre no mesmo lugar.

Longe do Brasil, escrevia cartas e perguntava por ele ao meu pai que respondia prontamente, fique tranquilo que o seu anjo da guarda está aqui, continua dependurado na parede.

O tempo passou e aquela imagem, já meio amarelada pelo sol, desapareceu, simplesmente sumiu do mapa. Cheguei a perguntar a minha mãe, pouco antes da sua morte, se ela sabia onde fora parar aquela gravura que me acompanhou durante anos e anos. Dona Lali não fazia a menor ideia. Deve ter sumido numa dessas nossas mudanças, dizia ela.

Outro dia, tantas décadas depois, fuçando revistas velhas num sebo em Pinheiros, dei de cara com uma gravura idêntica aquela que tinha no meu quarto. Ela estava entre uma revista O Cruzeiro e uma Cigarra. Perguntei ao senhor  no caixa quanto custava, ele deu uma olhada no verso e disse que aquilo não tinha preço, que estava ali perdida, que podia levar.

Trouxe pra casa e agora ela está aqui em frente ao computador, exalando um leve cheiro de mofo. Essa semana, pretendo leva-la no Moldura Minuto do Shopping Bourbon para emoldurar. Quero dependura-la bem no alto numa das paredes do no meu escritório porque a vida, quem sabe, recomeça aos 64 anos.

[Crônica da semana publicada no site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br

PAPAI SABE TUDO

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A Suécia é um dos países que mais incentiva os pais a cuidar de perto dos seus filhos. Com campanhas, benefícios financeiros e uma generosa licença paternidade, o resultado é animador. O jornalista Johan Bävman foi atrás de alguns e conseguiu flagrantes deles em ação. Veja o resultado.

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[Johan Bävman/L’Obs]