A LITERATURA DE DOMINGO

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Quem não gosta de Paris? Quem não gosta de flanar por suas ruas, ruelas e avenidas? O filósofo e sociólogo Edgar Morin, hoje com 94 anos, nos convida a fazer um passeio nostálgico e deslumbrante por uma das cidades mais amadas de todos os tempos. Em “Minha Paris Minha Memória”, Morin passou à limpo todas as suas lembranças, desde pequenininho. Impossível não gostar do passeio.

[Minha Paris Minhas Memória – Edgar Morin – Editora Bertrand – 222 páginas – 35 reais]

O SOM DO SÁBADO

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Fã que é fã procura, no fundo do baú, todas as notícias e rastros do seu ídolo. E acha. É assim no mundo inteiro. Qualquer rascunho, qualquer pista, qualquer sinal de vida é válido. Um disco inédito – e surpreendente – da cantora Cássia Eller, morta prematuramente em em 2001, que está chegando às lojas, é um presente e tanto para os fãs. Com cara de pocket show, Cássia Eller derrama todo o seu talento em dez canções de arrepiar. Que vão de “Segredo”, de Luiz Melodia, a “Sua Estupidez”, de Roberto e Erasmo, passando por “Happiness is a Warm Gun”, “For no One” e “Golden Slumbers”, de Lennon e McCartney. Para ouvir e ter saudade, uma vontade de dizer para Cássia: Ne me quitte pas!

OS IMIGRANTES

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A revista semanal de informação alemã DER SPIEGEL, chega às bancas no final de semana com seis capas diferentes, contando histórias de imigrantes. Pessoas que, em busca de dias melhores, fugiram de seus países, com destino a terra de Ângela Merkel. Chamo isso de Jornalismo.

[REPRODUÇÃO]

MINHA ADORÁVEL SECRETÁRIA

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No início dos anos 80, não tinha nada mais chique do que ter uma secretária eletrônica. Ela existia de verdade. Era um monstrengo que tínhamos de instalar ao lado do telefone e que estava sempre pronta para atender uma ligação, mesmo que nós não estivéssemos em casa. Nada mais moderno.

A secretária eletrônica funcionava com fitas, umas fitinhas k-7 menores, mais charmosinhas, parecendo miniaturas.

No início, as pessoas ligavam, ouviam coisa do tipo “você ligou para vinte e quatro zero um dezoito. Favor deixar o recado após o sinal”. Em seguida, vinha um barulhinho e as pessoas deixavam a mensagem.

As mais modernas, tinham um visor mostrando quantas pessoas ligaram durante a sua ausência e  aquilo virou um vício. Todo mundo chegava em casa e ia direto na secretária eletrônica ver quantas mensagens haviam.

Até que um dia, as pessoas descobriram um jeitinho de incrementar a secretária eletrônica. E começaram a deixar recados, uns sérios, outros não.

No auge das eleições de 1989, as primeiras depois de um longo e tenebroso regime militar, eu era brizolista roxo. A secretária eletrônica da minha casa também:

“Você ligou para a casa de Alberto Villas e Ana Paula. No dia 15 de outubro, não se esqueça: É Brizola na cabeça! Agora deixe o recado”.

No segundo turno, a coisa mudou:

Você ligou para a casa de Alberto Villas e Ana Paula. Aqui agora somos todos Lula! Deixe o seu recado mas, dia 15, você já sabe: Lula presidente!”

Não me lembro se depois do impeachment, gravei, naquela fitinha eletrônica, alguma coisa do tipo “chupa Collor!” Acho que sim.

Toda semana, eu mudava o recado. Nos tempos em que trabalhava no Fantástico e ele era o show da vida, se você me ligasse pra minha casa, ouviria o seguinte:

“Se eu não atendi, é porque estou na Ponte-Aérea, voando. Assim que pousar eu ligo. Favor deixar o recado”.

Um dia, resolvi colocar a família inteira bem na fita: “Aqui é a casa de Alberto, Ana Paula, Julião, Sara, Maria Clara e Marilia Villas. Com quem você quer falar? Deixe o seu recado”.

Eu era fã de carteirinha do humorista Leon Eliachar e quando ele foi assassinado, no Rio, o recado era esse: “Aqui é a casa dos Villas e nós queremos saber quem matou Leon Eliachar. Se você souber, deixe o recado”.

Cansado de deixar mensagens, comecei a gravar uma musiquinha. A pessoa ligava e imediatamente ouvia Rita Lee cantando:

“Alô Alô marciano, aqui quem fala é da terra…”

Ou então Paulinho da Viola:

“Olá como vai, eu vou indo e você, tudo bem?”

Teve até Raul Seixas:

“Alô, aqui é do céu. Quem tá na linha é Deus. Tá vendo tudo esquisito. O que que há com vocês?”

Deixei até o Gil na minha secretaria eletrônica:

“Alô Alô Realengo! Alô torcida do flamengo! Aquele abraço”.

Eu tinha um amigo, o Serginho, que trabalhava com a gente no Caderno 2 do Estadão, que não tinha secretária eletrônica. Ele, de saco cheio de atender telefone, de vez em quando atendia e falava:

“Você ligou para o caderno 2. Favor deixar o recado”. E fazia um barulhinho com a boca: Piiiii! Não tinha nada mais engraçado que ouvir a pessoa deixando o recado, crente que estava falando com a secretária eletrônica:

“Boa tarde, quem está ligando é um leitor do Caderno 2. Liguei para reclamar da crítica do filme 9 1/2 Semanas de Amor que vocês publicaram ontem…”

Hoje, tenho vontade de comprar uma velha secretária eletrônica num desses Ebays da vida, só pra deixar um recado mais ou menos assim:

“Aqui é a casa dos Villas, e nós queremos saber quem matou a secretária eletrônica. Se souber, deixe o recado”.

 

[Crônica da semana publicada pelo site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br

CASO SÉRIO

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Como leitor assíduo da coluna “Erramos”, do jornal Folha de S.Paulo, sinto, a cada dia, que a coluna, na verdade, está virando um caso sério.Fica aqui um conselho: Nunca deixe de ler o “Erramos” da Folha. Ele é sempre mais importante que a própria noticia.

[reprodução FOLHA DE S.PAULO]