NÃO VAI TER COPA

Quando coloquei os pés no aeroporto de Fiumicino, em Roma, pensei em dar uma de João Paulo II e beijar o chão, mas não beijei. O papa polonês já não há mais e beijar o chão caiu de moda. E, pensando bem, a gente nem chega mais em terra firme e sim em fingers de ferro e alumínio. A primeira imagem que vi ao esperar as malas que iam e vinham na esteira, foi a de um telão mostrando um jogo de futebol. Os italianos se juntaram para ver  as jogadas, quase se esquecendo das malas.

Na estação ferroviária de Santa Maria Novela, em Florença, ao chegar, foi a mesma cena. Era um outro jogo de futebol mas o telão estava lá, dando o maior Ibope. Foi quando pensei: Como é possível a Itália ficar de fora de uma Copa do Mundo, como essa que vem ai daqui a uns dias, na Rússia?

Você dá uma espiadinha nas bancas e lá está o Tutto Sport, La Gazetta dello Sport, o Corriere dello Sport e a Gazzetta Sportiva. Você dá uma olhada no La Repubblica, no Corriere della Sera, no Il Messaggero, em qualquer jornal italiano e lá estão os cadernos de esportes, robustos, gordos, cheios de noticias. Mas nada de Copa.

Uma tristeza no ar.

A Itália ficar de fora da Copa é como os Estados Unidos ficarem de fora de um campeonato mundial de basquete ou Cuba não participar de um torneio mundial de rugby.

É como dizia Adriana Calcanhoto, numa velha canção que tocava no rádio: “É avião sem asa, fogueira sem brasa, Bochecha sem Claudinho, Piu Piu sem Frajola, futebol sem bola”.

A FOTO DO DIA

Num mercado de Florença, o capricho do ninho de ovos e o charme de um quebrado.

[foto Alberto Villas]