AMÉLIE POULAIN

Gosto dos pequenos detalhes da vida, coisas miúdas que acontecem, às vezes sem muita importância mas que guardam uma história por detrás. Sofro de uma leve síndrome de Amélie Poulain. Gosto de ir a sebos e ler as dedicatórias dos livros que estão ali à venda. Qual o motivo de alguém se desfazer de um livro com dedicatória? E os bilhetes que às vezes encontro dentro deles? Um dia, encontrei um boleto sem pagar, de 1980. Será que foi pago um dia? Fico curioso quando acho, dentro de um carrinho de supermercado, uma lista de compras deixada ali. Gosto de saber o que as pessoas compram, o que estava faltando na casa daquela pessoa invisível. Outro dia, andando por Florença, vi na calçada a fotografia de uma moça morena, com os cabelos negros lisos, achei até que era minha amiga Ananda Apple. Mas, olhando bem, vi que não era. A moça tirou, numa máquina automática, pelo que tudo indica, uma fotografia para sua carteira de identidade. Duas, aliás. Usou uma e a outra ficou ali jogada na calçada. Não sei se caiu das suas mãos ou simplesmente jogou fora, quis se desfazer da outra, já que a gente sempre acha que não está bem na foto. Ficou o mistério.

[foto Alberto Villas]

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