DE VOLTA AO PASSADO

Acostumado durante muitos e muitos anos a aridez dos grandes supermercados onde, muitas vezes, a caixa sequer diz bom dia, boa tarde ou boa noite, sequer olha nos seus olhos , cujas palavras que dirige até você são as de praxe – tem cartão fidelidade? nota fiscal paulista? quer sacola? quer carregar o celular? tem noventa centavos? – passei a observar em Florença, os mercadinhos. Como numa cidade do interior, eles sobrevivem com suas frutas e legumes expostos nas calçadas, tudo meio desarrumado , mas com o frescor de outrora. As vendedoras e os vendedores nem sempre são o retrato da simpatia, mas ainda pesam seus pêssegos ou os seus aspargos em velhas balanças e os embrulham em saquinhos de papel pardo. Você entra nos mercadinhos, muitos deles sem nome, fica observando e vai percebendo que eles têm um pouco de tudo.  Até mesmo aqueles figos secos deliciosos vindos de Istambul, conforme revela a caixa de papelão branco onde estão meio escondidos, debaixo dos saquinhos de papel pardo. Florença é uma delícia. E os seus mercadinhos, inesquecíveis.

[foto Alberto Villas]

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