PODE SER A GOTA D’ÁGUA

 

Julho inteiro não choveu em São Paulo, sequer uma gota d’água caiu do céu. A cidade foi ficando com ar de deserto, onde há grama, a grama seca, a cara de Brasília. As árvores foram resistindo porque são firmes e fortes. Até mesmo as flores da varanda da nossa casa quase morreram todas, não sei se de saudade ou de falta d’água. Havia filas para ocupar as poltronas de inalação nos pronto-socorros da cidade e, nos postos do SUS, nunca se viu tanta gente chegando por falta de umidade, nariz seco, garganta seca. Nas farmácias, os inaladores vendiam como banana na feira, todos querendo um pouco de umidade. De repente, veio o chuva, chegou de noite, anunciada por tímidos trovões. Mas veio pra valer. A vontade foi sair na janela e aplaudir, como os cariocas aplaudem o por do sol. É nessas horas que a gente dá valor pra natureza, que a gente se emociona até mesmo por uma gota d’água.

[foto Alberto Villas]

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