CRISE DE ABSTINÊNCIA

Sim, estou. Desde que deixei Florença, sinto falta. Sinto falta do Rio Arno, por onde passava todos os dias, iPhone na mão, sempre captando uma novidade. Sinto falta da Ponte Vechio transbordando de gente e da banquinha de jornais que tinha, bem na esquina da casa onde morávamos. Era lá que toda manhã ia comprar o jornal La Repubblica. O dono da banca, a edicola, já me conhecia e ia lá dentro buscar o jornal assim que me via despontar. Todos os dias, ele me entregava nas mãos, um La Repubblica gordo, pesado e cheio de novidades. Estou em crise de abstinência. Queria voltar a ler as páginas iniciais, o Primo Piano, as notícias mais importantes do dia. Estou em crise de abstinência porque já faz mais de mês que não leio nas minhas mãos o caderno Food, o caderno Lab, o caderno Club e o caderno Salute. Já faz mais de mês que quando chega sexta-feira eu não tenho nas minhas mãos a revista Il Venerdi, com pautas maravilhosas. No domingo, sinto falta do suplemento Robinson, com dicas de todos aqueles livros maravilhosos pra ler, todos aqueles discos maravilhosos pra ouvir. E da revista L’Espresso, que vem junto com o La Repubblica. Eu quero um jornal de papel pra viver. A minha assinatura virtual é apenas um paliativo, os 15 euros mais bem gastos todos os meses, mas não me satisfaz completamente.

[foto Reprodução]

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