O TAL MERCADO

Faltava ainda meia hora, quando cheguei ao Mercado da Lapa, não muito longe de onde moro. Não tem aquele charme do Mercado Central de Belo Horizonte, onde nasci, mas é um mercado com todos os seus sabores. Temperos, verduras, frutas, carne, peixe, queijos e muito mais. O movimento era ligeiramente mais intenso que o de costume. Via-se ali pessoas que não estavam acostumadas com aquele mercado, sentados em bancos de madeira, observando o relógio, conversando discretamente com amigos. Eram trabalhadores, bancários, professores, comerciantes, bem brasileiros. Uma hora em ponto o trompetista chegou e disparou o primeiro acorde: “Olê Olê Olá…” Em menos de um minuto a multidão estava formada em torno dele, cantando palavras de ordem: “Lula Livre!”, “Lula Guerreiro do Povo Brasileiro!”, “Lula Presidente!” A emoção toma conta do mercado, numa onda luminosa de smartphones. Os vendedores param de vender e muitos deles, com sorriso no rosto, participam discretamente da manifestação. Um pequeno grupo da banca de bacalhau ensaia um coro de “Bolsonaro!””Bolsonaro!”, mas é abafado pela maioria “Lula Livre!” Pra mim, esse é o tal mercado que a imprensa fala. Aliás, uma imprensa que se mantem silenciosa com esses Lulaços que se espalharam pelo Brasil afora, nos mais diversos mercados. Talvez o editor-chefe tenha recebido ordens superiores de que isso não é notícia.

[foto Alberto Villas]

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