O SHOW DA VIDA

Há dezessete anos, coloquei no ar no programa Fantástico, outrora “show da vida”, um VT que está seguramente na minha lista particular do Top 5. Naquele fim de semana que seguiu ao ataque terrorista em Nova York, que colocou abaixo as duas torres gêmeas, era o meu plantão para fechar e colocar no ar o programa dominical da Rede Globo. Voei mais cedo pro Rio de Janeiro porque sabia que os dias iam ser pesados. E foram. Recebemos na redação, via escritório de Nova York, um vídeo de 26 minutos, gravado por um médico que resolveu, por conta própria, socorrer as vítimas. Com uma câmera numa mão e os aparelhos de medicina na outra, ele entrou nos escombros correndo risco, sabendo que poderia não sair dali com vida. Foi gravando o que via, o sofrimento das pessoas, aquelas imagens aterrorizantes. O diretor do programa sugeriu que eu transformasse aquilo numa reportagem de, no máximo, dez minutos, com off e tudo mais. Assisti e assisti novamente três vezes aquele vídeo e fui lutar por ele. Argumentei que deveríamos colocar no ar o que chamamos de matéria bruta, os 26 minutos, sem edição, sem off, apenas com legendas, de tempos em tempos, que eram as observações que o médico fazia. Venci e os 26 minutos brutos abriram o programa naquele domingo. Me senti realizado profissionalmente quando, na reunião de pauta da terça-feira, entrei na redação e recebi um forte abraço do repórter Eduardo Faustino e um curto: “Parabéns, cara!”

 

 

 

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