A CENA MUDA

Sempre fui rato de livrarias, de sebos, de loja de discos. Sempre fui frequentador assíduo da Livraria Cultura, aquela enorme do Conjunto Nacional. De ir toda semana e passar um bom tempo lá, pulando de livro em livro, de CD em CD, de revista em revista. E depois tomar um suco de laranja com mamão, comer um sanduíche de salmão com pão integral e, pra finalizar, um cafezinho. Ontem entrei na Livraria Cultura do Conjunto Nacional com a impressão de que era pela última vez. Livros novos não há mais. Livros antigos que sobraram e best-sellers ocuparam as estantes redondas, lugar onde sempre encontrava as novidades da semana. Subi até o primeiro andar e que desolação. Os Cds novos de Gilberto Gil, de Caetano com os filhos, de Elza Soares, nenhum estava lá. O que tinha, preenchendo as estantes eram coletâneas caça-níqueis e um total de seis vinis. Sim, apenas seis. Antes de ir embora, passei na revistaria e o susto foi maior. Nenhuma revista nacional, nem mesmo as tradicionais Veja, Época, IstoÉ, Carta Capital estavam lá. O que vi foram revistas estrangeiras, poucas, a preços nunca inferiores a 90 reais. As respostas dos vendedores são sempre as mesmas: “Ainda não chegou, ainda não recebemos”. E a revista Cultura? “Não existe mais”. A Livraria Cultura está agonizando, enquanto no café, havia fila de espera. Talvez os clientes queriam beber o último suco de laranja com mamão e comer o último sanduíche de salmão com pão integral. Que tristeza!

[foto Alberto Villas]

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