OUTROS PAPOS

VAMOS COMER POESIA

Leonard Cohen é sempre leitura recomendada.

[do Página 12]

https://www.pagina12.com.ar/170856-el-comandante-cohen

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BELEZA PURA

Lindo o caderno Sport & Santé, encartado no Le Monde.

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O IDIOTA SEM CABEÇA

A capa da revista Bloomberg Business.

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ENVIADA ESPECIAL

O jornal Le Monde mandou a repórter Claire Gatinois a Abadiânia, em Goiás, para fazer a melhor matéria sobre João de Deus, que a imprensa brasileira praticamente esqueceu.

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É O BICHO!

Esqueleto de peixe da espécie Zenopsis, exposto em Kuala Lumpur. As cores foram adicionadas por produtos químicos.

[foto AFP]

 

 

DORIL

A semana vai chegando ao fim. Quem passar por uma banca de jornal que ainda dependura jornais e revistas, vai se lembrar que um escândalo federal chamado Flávio Bolsonaro está nas capas das quatro revistas semanais, amareladas pelo sol. De repente veio uma avalanche de lama em forma de tsunami e encobriu a notícia. Sim, o jornalismo precisava dar toda atenção as três centenas de mortos, não resta a menor dúvida. Mas onde foi parar o escândalo Flávio Bolsonaro?

Ele foi chamado pra depor?

O seu comparsa Queiroz foi chamado pra depor?

Arquivaram o processo?

Era fake news?

Ele pediu perdão?

Ele foi preso?

Ele fugiu do país?

Ele se escondeu numa favela comandada pela milícia?

Está ocupado enchendo de dinheiro envelopinhos da Caixa?

A Poupança Bamerindus acabou e ele continua aí numa boa?

Alguém pode dar uma luz?

[AV]

 

OUTROS PAPOS

O PEQUENO PRÍNCIPE

Cansado de assistir as festividades em honra de Devota, o santo padroeiro do Principado de Mônaco, o pequeno Jacques tapou os olhos.

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A CAPA

Jennifer Lopez na capa da revista britânica Harper’s Bazaar.

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É O BICHO!

Insetos, o alimento do futuro, na capa do suplemento Science & Médicine do jornal Le Monde.

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LET IT BE

A arte de fazer uma capa. Revista espanhola Papel.

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UMA TAÇA SOBRE A MESA

São Paulo, 2019

[foto Alberto Villas]

O SOM DA ÁFRICA

O jornal o Globo publicou na capa do Segundo Caderno de ontem, um assunto pouco falado no Brasil, a música africana. Mais precisamente do nigeriano Fela Kuti, um gênio do Afrobeat, morto em 1997, que acaba de ganhar um documentário das lentes do brasileiro Joel Zito Araújo. Na Europa, mais precisamente na França, Fela Kuti sempre foi rei, mas aqui, quase nada conhecido. Ao ler a matéria, lembrei-me do dia da sua morte, 2 de agosto de 1997. Estava num táxi na Avenida Paulista quando um locutor dessas FMs da vida, leu a notícia. Vou descrever exatamente o que ouvi: “Morreu ontem o músico nigeriano Fela…  Ani… kula… po Kuti. Também com um nome desses tinha mais é que morrer!”. Ponto final. Pena que não me lembro que rádio foi, nem o nome do locutor. Seria bom colocar aqui.

[AV]

OUTROS PAPOS

QUE TAL NÓS DOIS? Enquanto isso, na cidade de Hangzhou, na China, hóspedes de um hotel maneiro, tomam banho acompanhados de frutas e legumes, preparando-se para o Festival da Primavera.

[foto AFP]

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A PRIMAVERA DESABROCHANDO. A arte, sempre impecável, da semanal The New Yorker.

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PAUTA. O jornalismo de verdade estampa, na capa, assuntos assim.

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ARTE. Ilustração publicada na New Yorker.

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CINEMA. O assunto de capa da revista espanhola Metropoli é o filme The Old Man & The Gun.

VENDO TV

Ontem passei parte da tarde trabalhando e vendo TV, esperando uma notícia boa, uma notícia qualquer. O que me chamou a atenção? As inúmeras vezes que as apresentadoras dos telejornais liam uma notícia e faziam uma pergunta para o repórter, ao vivo. Foram pelo menos doze vezes que ouvi: “É isso mesmo, Cristiane!” e “É isso mesmo, Leilane!” De repente, o porta-voz da Presidência da República entra, ao vivo, para informar ao Brasil sobre a operação a que foi submetido Jair Bolsonaro. Falou rapidamente, confusamente e, em seguida, disse: “Agora vou falar de Brumadinho”. Parecia que ele tinha dois minutos para dar três notícias. Falou de Brumadinho e soltou essa: “Agora, o problema do Diesel”. Ah, que saudade do Stanislaw Ponte Preta! Mas o que mais me impressionou no canal de notícias por assinatura, foi o seguinte: A GloboNews emenda um telejornal de duas horas em outro de duas horas de duração e assim por diante. As apresentadoras vão mudando mas as notícias são as mesmas. Dezoito e trinta, Leilane avisa: “Nosso repórter em Brumadinho tem novas informações”. O repórter entra ao vivo e dá a mesma notícia que outro repórter já tinha dado às 16 horas. Hoje, vou apenas trabalhar. Com a televisão desligada.

[AV]

OUTROS PAPOS

CACHORRO QUENTE. Com uma temperatura de 47 graus em Louth, esse cachorro australiano não pensou duas vezes. Enfiou a cara num buraco cheio d’água pra esfriar um pouco a cabeça.

[foto Getty Images]

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CABEÇA E CÉREBRO. Os italianos têm sorte de ter a Mind, uma revista mensal de ciências superbacana.

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JORNALISMO CRIATIVO. O francês Libération pediu a 30 grandes escritores para escrever algumas linhas sobre “a Europa em perigo”.

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NOSSOS COMERCIAIS. Anúncio da Max Mara publicado no jornal italiano La Repubblica.

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ENVIADOS ESPECIAIS. A revista de fim de semana do jornal espanhol El País enviou dois repórteres a Caracas para mostrar como estão vivendo os venezuelanos nesses tempos de crise.

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RETROVISOR. Eis uma Sony 8-301W, televisão lançada em 1961.

ESQUECERAM DE MIM

Quem estuda o Jornalismo – ou não – sabe perfeitamente que uma notícia pode soterrar outra. Quando se trata de uma grande notícia, de um grande acontecimento, principalmente uma catástrofe, o soterramento pode ser mais rápido que o de costume. Todos sabemos que a tragédia de Brumadinho, com mais de 50 mortos e duas centenas de desaparecidos, minimizaria qualquer outra notícia, ocuparia praticamente quase todo o espaço dos telejornais e várias páginas do noticiário impresso. Absolutamente normal. Quando as barragens se romperam em Minas Gerais, quem ocupava páginas e mais páginas dos jornais, minutos e mais minutos dos telejornais e as capas das quatro revistas semanais de informação, era Flavio Bolsonaro, enrolado até o pescoço com falcatruas e explicações para boi dormir. Ele, como num toque de mágica, desapareceu do noticiário. O Jornal Nacional, noticiou, quase no final da edição, mais uma de suas confusões, citando a revista Veja. É bom ficarmos atentos a isso. A busca, já quase sem um pingo de esperança, de encontrar pessoas com vida no meio do mar de lama, deve continuar ocupando boa parte do noticiário sim. Trata-se de uma grande tragédia, que comoveu todo o país. Mas não absolveu Flavio Bolsonaro, o garoto que deposita 96 mil reais em 48 envelopes num caixa eletrônico, para evitar fila.

[AV]