ESQUECERAM DE MIM

Quem estuda o Jornalismo – ou não – sabe perfeitamente que uma notícia pode soterrar outra. Quando se trata de uma grande notícia, de um grande acontecimento, principalmente uma catástrofe, o soterramento pode ser mais rápido que o de costume. Todos sabemos que a tragédia de Brumadinho, com mais de 50 mortos e duas centenas de desaparecidos, minimizaria qualquer outra notícia, ocuparia praticamente quase todo o espaço dos telejornais e várias páginas do noticiário impresso. Absolutamente normal. Quando as barragens se romperam em Minas Gerais, quem ocupava páginas e mais páginas dos jornais, minutos e mais minutos dos telejornais e as capas das quatro revistas semanais de informação, era Flavio Bolsonaro, enrolado até o pescoço com falcatruas e explicações para boi dormir. Ele, como num toque de mágica, desapareceu do noticiário. O Jornal Nacional, noticiou, quase no final da edição, mais uma de suas confusões, citando a revista Veja. É bom ficarmos atentos a isso. A busca, já quase sem um pingo de esperança, de encontrar pessoas com vida no meio do mar de lama, deve continuar ocupando boa parte do noticiário sim. Trata-se de uma grande tragédia, que comoveu todo o país. Mas não absolveu Flavio Bolsonaro, o garoto que deposita 96 mil reais em 48 envelopes num caixa eletrônico, para evitar fila.

[AV]

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