A PÁTRIA SEM CHUTEIRAS

Domingo era dia de bola na rede no país do futebol. Jorge Benjor chamava-se Jorge Ben, era Flamengo e tinha uma nega chamada Teresa. Os porteiros dos prédios ficavam atentos ouvindo o jogo com um ratinho de pilha colado no ouvido, muita gente ficava acordada até tarde para ver o videotape da partido do seu time ou rever o gol no Fantástico. A seleção era chamada de canarinho e Pelé era rei. Na segunda-feira, todos corriam às bancas para comprar o jornal e, mesmo antes de ver a manchete principal, arrancava fora o caderno de esportes, robusto e cheio e atrações. No Globo tinha o Otelo na última página, único, imperdível. Todos os jornais davam a maior atenção ao futebol. Você encontrava nesses cadernos, todos os detalhes de cada jogo, a tabela dos campeonatos regionais, fotos espetaculares dos craques em ação. Ninguém queria perder o jornal de segunda-feira. Havia um jornal inteiro só de futebol, o Jornal dos Sports, cor de rosa. Havia a Gazeta Esportiva, também diário, e as semanais Placar e Manchete Esportiva. Acabou tudo. Ontem, segunda-feira, o futebol na Folha de S.Paulo era tratado em duas páginas, sendo que uma delas, com metade de publicidade. Quem procurasse ali as tabelas, as grandes jogadas, os próximos jogos, não encontrava nada. Só salvava a coluna do Juca Kfouri.

[AV]

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