O PREMIADO

No septuagésimo oitavo dia do ano, finalmente, uma boa notícia. O prêmio Templeton vai para… Marcelo Gleiser! Conheci Gleiser em 2008, quando o físico veio ao Brasil lançar o livro Mundos Invisíveis, da coleção Fantástico que eu dirigia. O físico estava bem feliz com o resultado de transformar em livro a série que ele apresentou no programa. A série, coordenada e dirigida pelo editor Frederico Neves, foi um sucesso. Sentia-me feliz em ver a Física no ar, explicada para milhões de brasileiros. Aproveitando a vinda dele ao Brasil, fiz uma longa entrevista com Gleiser para a extinta e saudosa revista V. Lembro-me que quando perguntei qual era, para ele, a melhor revista de ciência publicada no mundo e ele respondeu na lata: “Para mim, a National Geographic”. Fiquei surpreso e passei a prestar mais atenção na NG. Há muitos anos,  todo mês quando a NG chega à minha casa, eu me lembro dele. E concordo. Viva Marcelo Gleiser!

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O ASSASSINATO DA CRIATIVIDADE

Quem sempre andou pelas ruas de São Paulo, deve se lembrar bem dos cartazes publicitários da revista Veja nas bancas de jornais. Bem antes, eram os outdoors que surgiam aos sábados de manhã por todos os lados da cidade, amarelos, e sempre com frases criativas. Veio a lei da cidade limpa do então prefeito Gilberto Kassab e os outdoors foram proibidos, viraram cartazes em bancas. Sempre amarelos, sempre muito criativos. Sacanas na era Lula, mas criativos. A frase semanal dos outdoors era criação da agência AlmapBBDO. Os redatores precisavam ser rápidos e criativos. A revista passava o assunto de capa para a agência e todos podiam opinar. Cinco frases eram enviadas pra revista, que escolhia a melhor. Na segunda-feira, o escolhido chegava na AlmapBBDO comemorando, cheio de moral. O tempo passou, a Veja emagreceu, perdeu um pouco o rumo com a eleição do candidato da extrema-esquerda, e perdeu também a graça. Quem passa hoje por uma banca, vai encontrar no cartaz amarelo com a capa da revista e os dizeres Leia em Veja. Assassinaram a criatividade, de uma hora pra outra. Uma pena.

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