CHEIRO DE GOLPE

Foram quase cinco meses de trapalhadas diárias. Desde que o presidente de ultra-direita, defensor de torturador e de todos com arma em punho, tomou posse, o Brasil vive de sustos e piadas. Nem vale a pena lembrar aqui o Jesus na goiabeira, o desejo de gravar alunos cantando o Hino Nacional, os 48 envelopes de depósitos, os laranjas, as milícias, o vídeo pornô, nada disso. O governo Bolsonaro não existe no quesito construir. Ele veio para demolir o país, acabar com tudo que funcionava ou não. Em cinco meses, nada de útil, nada de progresso. O dólar subiu, o PIB caiu, o desemprego aumentou, os mais médicos viraram menos médicos. E agora, José? Até agora não vimos um projeto de governo, uma ponte que ele vá construir, um hospital, uma escola fundamental, uma universidade, absolutamente nada. Ontem, 20 de maio, talvez tenha sido um dos dias mais calmos e preguiçosos do ano. À noite, a televisão foi desligada logo depois da escalada do Jornal Nacional. Nada que interessasse. O governo deve ter dado ordem de baixar a bola. Ninguém abre a boca porque vai sair bobagem, vamos encostar provisoriamente o astrólogo e fingir que estamos governando. Até quando? Essa calmaria de ontem deu tempo até pra gente respirar fundo. E sentir um cheiro de golpe.

AV

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