AQUI JAZ

Lá dentro, por detrás do tapume, havia uma espécie de vida. Não havia um dia sequer que, quando passava por ali, não entrasse. Antes de colocar os pés ali dentro, costumava passar os olhos na vitrine, ver as novidades. Havia sempre algumas surpresas. Foi ali que participei da festa de lançamento do  Livro do Jô, das 101 Atrações de TV que o Brasil sintonizou,  da Patricia Kogut, foi ali que comprei A guerra do porco, do Adolfo Bioy Casares, Caminhando contra o vento, de Igiaba Scego, a biografia do Marighela, os poemas de Pasolini e tantos outros livros. Não era a minha livraria preferida, faltava um pouco o charme da Travessa e o feitiço da Vila, mas estava sempre por ali. Ia até o fundo folhear as revistas, comprar a Quatro Cinco Um, ver as capas da Vogue francesa,  americana, espanhola e portuguesa. Muitas vezes comprava a Rolling Stone, a Bravo, aVida Simples e Saúde é Vital. Nunca deixava de subir a escada rolante para ver os CDs e os vinis. Foi lá que, não sei como, achei o War Zone, da Yoko Ono. Paguei uma fábula, mas levei. Era aqui ali que havia uma passagem meio secreta para chegar ao restaurante Modi. A gente não queria só diversão e arte, a gente queria também comida e no Modi, a polenta de funghi em panelinhas, é imbatível. Ontem passei por lá e trombei num tapume preto e branco anunciando, para breve, mais um restaurante no lugar da livraria. Engoli em seco e sai sem dar um piu.

AV

 

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