REAÇAS

Não se deve comemorar a morte de ninguém, é um dito popular. Mas confesso que um dia comemorei. Pouco tempo depois da morte de Augusto Pinochet, arrumei minha mala e voei pra Santiago. Fui cumprir uma promessa feita em setembro de 1973, de só ir ao Chile depois que o ditador sanguinário morresse. Agora, nos chega a notícia da morte de um tal MC Reaça que, confesso, não me lembro ter ouvido falar. Quando o meu pai ficava sabendo da morte de uma pessoa que ele não conhecia, costumava dizer: “Morreu, morreu, antes ele do que eu”. Fui me informar sobre o tal MC Reaça, curioso pelo apelido. MC Reaça era um jovem reacionário que apoiava Bolsonaro candidato, fazendo paródias ultra-direitistas para a campanha, daí o apelido. Ele espancou a namorada pra valer e, em seguida, suicidou-se. Até aí uma notícia trágica para as páginas policiais dos jornais. Mas, não, a notícia ganhou as páginas de política porque o presidente da República, que poderia ter o apelido de MC Bozo ou MC Fudeu o País, soltou uma nota pelo Twitter, lamentando a morte do rapaz. Foi o mesmo presidente que, quando soube da morte do músico Evaldo dos Santos Rosa e do catador de sucata Luciano Macedo, assassinados com mais de duzentos tiros disparados por soldados do Exército no Rio, ambos inocentes, comentou: “O Exército não matou ninguém”.

AV

[foto Facebook]

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