QUERIDO DIÁRIO

Tem dias que a gente se sente um pequeno ponto vermelho em meio a trevas por todos os lados. Em cima, em baixo, do lado esquerdo do peito. Não vê saída, vê, ouve que tudo não vai dar em nada, senta, levanta. Seis meses debaixo da lona de um governo de extrema-direita, que carrega nas costas uma ideologia burra e antiquada. Faz greve, uns vão, outros não vão. Liga no JN, desliga, promete nunca mais ver e segue. Tem dias que a gente se sente como um porquinho-da-índia procurando a casinha premiada como se estivéssemos numa quermesse junina em Conceição do Mato Dentro. Coloca na vitrola quase que a discografia completa de Chico. O que será que será, Vai Passar, Chame o Ladrão! Chame o Ladrão! Cálice, e pára em Vai Passar. Sai de Chico, entra em Gil. Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá.

AV

Um comentário em “QUERIDO DIÁRIO

  1. Estou aqui nos EUA, acompanhando meu marido em uma residência artística, e me sinto assim às vezes. Mas quando eu olho mais atentamente, percebo que somos muitos pontinhos vermelhos… muitos mesmo. Estamos muito espalhados. Alguns tão mais pra bordô, outros pra vernelho vinho e outros vermelho vivo. Mas somos muitos!
    Fé e ninguém solta a mão de ninguém.
    Você não está sozinho.

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