ALÔ ALÔ

Com o tempo, tudo desaparece. Raramente você vê um Simca Chambord desfilando pelas ruas, dificilmente você vê uma mãe dando Calcigenol Irradiado para o filho, ou alguém mascando um Ping-Pong, escovando os dentes com Kollynos. As coisas vão sumindo, sumindo, até a gente dar falta deles. Mas, de repente, desde a semana passada, começaram a retirar todos os orelhões de São Paulo, numa operação impressionante. Onde havia um, hoje existe apenas um pequeno poste de ferro sinalizando que, outrora, ali havia um orelhão. O design é brasileiro e os primeiros apareceram nos anos 1970. Virou coqueluche. Todo mundo tinha na carteira uma ficha de telefone. Depois vieram os cartões, que muitos até colecionavam. Acho que todo mundo já falou num orelhão. Talvez essa novíssima geração, não. Nos últimos tempos, ninguém mais usava. Eles serviam apenas para painel publicitário de putas, com cartõezinhos colados por toda parte. Sugiro que quem ainda conseguir ver um, fotografe, para, no futuro, lembrar daquele objeto que ganhou o nome espontaneamente de orelhão, uma ideia genial.

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