O ELEITOR TÍPICO

O eleitor típico é aquele que dizia, em outubro passado, “qualquer um, menos o PT”. O eleitor típico é aquele que votou em qualquer um. E hoje, mesmo sem dar uma avestruz, acha que tudo vai bem como dois dois e dois são cinco. Ele defende o porte de arma para proteger os seus bens, mesmo sem saber dar um tiro, mesmo sem ter bens. Ele torce para ser entrevistado pelo Datafolha pra cravar “bom ou ótimo”. Não se interessa muito pelo desmonte do país, acredita piamente no Messias, gosta do jeitão dele, da maneira popular como diz “paraíba”, como diz que tem governador “sacaneando” ele. O eleitor típico não está nem aí pra liberação de agrotóxicos, pro fim da Ancine, pros 48 envelopes com dois mil cruzeiros em cada um, pra quem vai ser o embaixador do Brasil nos States, onde está o Queiroz ou quem matou Marielle.  Não se importa se temos uma doida varrida num ministério ou um posto Ipiranga em outro. Se o ministro do Meio Ambiente quer cortar árvores ou se o ministro da Educação tem um português ruim. Ele ama de paixão o ex-juiz, é capaz de gastar todo o seu fôlego para encher com o seu ar o boneco inflável do agora ministro. Acredita em hackers e na organização criminosa que roubou os diálogos da Lava Jato. Está se lixando pro Intercept e nem cita Glenn Greenwald nos papos de botequim porque não sabe falar direito o nome do jornalista americano. O eleitor típico não vê problema no PIB negativo e nem se lembra que o Pib maior de Dilma era chamado de Pibinho. Ele acha que bandido bom é bandido morto e, mesmo sem saber direito onde fica a Venezuela e Cuba no mapa, ele gosta de mandar algumas pessoas pra lá, quando os parcos argumentos acabam. O eleitor típico ama fazer arminha com as mãos e agora chama a Veja, a Globo e a Folha de comunista. Ele sequer se deu o trabalho de olhar no Aurélio o significado de “viés” ou “nepotismo” e segue em frente, dando suas opiniões. Ele concorda com o o presidente eleito quando ele diz que o Brasil precisa produzir “filmes de heróis” e acha mesmo que aqui não tem faminto porque não tem esquelético. É a favor da reforma da Previdência e qualquer outra reforma que venha a ser proposta pelo político preocupado com o implante de cabelos. O eleitor típico  é isso e muito mais. Vou continuar, outro dia.

AV

 

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