O OUTRO LADO DA MARGEM DO RIO

Pessoas mudam sim, alguns da água pro vinho, outras do vinho pro vinagre. O que teria acontecido com a jornalista Leda Nagle? Uma simpatia de pessoa. Passou anos no Jornal Hoje despedindo-se com um “com certeza”. Não perdia um, gostava disso. Passou anos, talvez mais de uma década à frente do Sem Censura, um ótimo programa para os fins de tarde. Fui lá umas três vezes, sempre tratado como um paxá. Dei opinião, falei o que quis, literalmente, sem censura. Fico aqui pensando nisso tudo, depois de assistir uma longa entrevista com o presidente de ultra-direita, Jair Bolsonaro, em seu programa no Youtube. Leda já entrevistou o filho Zero Alguma Coisa, o Marco Feliciano, o Marco Antônio Villa e o cantor Lobão. Leda começou a entrevista dizendo que estava se achando. Se achando por estar ali ao lado e pronta para entrevistar, ninguém menos que o presidente da República. Na verdade, uma figura asquerosa, de extrema-direita, homofóbico, anti-feminista, anti-esquerdista, aquele que está desmontando o nosso Brasil, aquele que elogiou em rede nacional e ao vivo, o maior torturador que a História do Brasil já teve. Isso ela não falou ao convidado de honra, claro. Leda era toda felicidade em estar ali frente a frente, sabe Deus se não com o seu ídolo. Patético! A primeira pergunta, sempre muito simpática, foi se ele continuava comendo pão com leite condensado no café da manhã. Nos problemas mais espinhosos do nosso país, ela apenas levantava a bola pro Bozo, como é conhecido, cortar. E a segurança? E a reforma da Previdência? E o desemprego? Foi ai que chegamos ao ponto máximo da entrevista, quando ele disse que gostaria de pegar um desempregado e dar a ele uma empresa, pra ele sentir na pele como é difícil ser patrão no Brasil. Vai pagar FGTS, vai pagar décimo-terceiro, férias, pra 10 empregados pra ver o que é bom pra tosse. Foi mais ou menos assim que o presidente viu o país de 13 milhões de desempregados. Leda ouvia tudo com a mão no queixo, aparentemente admirada com tudo o que a besta dizia. Num momento bizarro, Bolsonaro disse que foi eleito e estava ali conversando com ela, “numa boa”. E completou: “Se o Haddad estivesse aqui, com certeza ele estaria com o Maduro ao lado”. Bom dia a todos, com certeza! (Alberto Villas)

Um comentário em “O OUTRO LADO DA MARGEM DO RIO

  1. Nada me surpreende mais. com poucas exceções , jornalistas brasileiros são um bando de puxa saco. Lambe o saco de quem esteja no poder, não importa nada quem seja. Sao quase todos assim. Trabalhei em Brasilia , como jornalista. Sai correndo. tinha ideologias, princípios e sonhos. Foi uma decepção muito grande. Raramente digo que ja fiz parte dessa corja.

Deixe uma resposta para ieda keattch Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s