ACORDA, AMOR!

Eram cinco horas da madrugada quando o helicóptero começou a sobrevoar o bairro da Lapa, em São Paulo. O silêncio da escuridão só fez aumentar o barulho, acordar os moradores, chamar a atenção. Ele voava baixo, mais baixo que o prédio de vinte e seis andares, em frente ao meu. O holofote aceso focava a esquina da minha casa, o posto Ipiranga, vasculhava a rua em busca de alguma coisa, de alguém. Subi a cortina, abri a janela, fazia frio. E o barulho aumentou ainda mais. Temor daquele holofote mudar o rumo e focar minha janela, meus olhos, me cegar. Tótótótotó, ele ia e vinha e ia e vinha. Juro que, por alguns minutos, pensei, são os homens e eu aqui parado de pijama, eu não gosto de passar vexame. Peguei o interfone, apertei o botão portaria e o Bahia também não sabia o que se passava ali. Não tem sinal de fumaça, ele disse, não é incêndio. O tótótótotó ia e vinha, diminuir e aumentava. Estava com isso na cabeça: Se você corre o bicho pega, se fica não sei não. Atenção! Não demora, dia desses chega a sua hora, não discuta à toa não reclame, chame o ladrão! Quarenta minutos depois e o barulho não passava. Fotografei. Andei no escuro até o outro lado da cama e disse: Acorda, amor! [AV]

[foto Alberto Villas]

 

 

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