NOSSO PAPEL

Os países nórdicos já começam a anunciar o fim do papel moeda, o fim do dinheiro de papel. Cheque, já não assinamos mais. Os jornais e revistas minguam nas bancas, escondidos entre um urso de pelúcia e uma caixa de Mentos. Tínhamos agenda de papel, bloquinho de papel, papel de carta, papel de rascunho, calendário de papel na parede. O papelão envolvia o disco de vinil, o papel de seda voava em forma de pipa no céu, papel crepom soltava tinta, o papel manteiga forrava o bolo na forma e a cartolina servia para trabalhos manuais no colégio. No dia 31 de dezembro, papel picado caia sobre nossas cabeças na avenida principal e se alguém fizesse algo de errado, dizíamos: Que papelão! O papel couché deixava as fotografias lindas nas revistas da Abril, papel fundamental na imprensa. Havia o tigre de papel, o papel principal, o papel secundário, o papel machê. Até 2022, apenas um papel está garantido que vai sobreviver nessa selva de pedra: O papel higiênico. [AV]

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