ABRIL DESPEDAÇADA

Lembro-me bem, início dos anos 1980, quando Seu Carolino, o jornaleiro da Rua Sabará, em Higienópolis, me avisou da chegada do primeiro número de uma nova coleção infantil da Editora Abril: Taba. Levei pra casa o número de estréia e os meus filhos ficaram encantados. Tão encantados quanto eu. Vivíamos a era do vinil e o livrinho, de papel, além de uma história infantil cem por cento brasileira, escrita pelos bambas da literatura infantil, tinha ilustrações também feitas por craques da pena, ainda com o uso de lápis de cor, e um disquinho com músicas que conversavam com a historinha. O primeiro número era Marinho, o Marinheiro, uma história de Joel Rufino dos Santos, em que Gilberto Gil cantava Gaivota. Depois ouvimos New Matogrosso cantando Homem com H na historinha Pererê na Pororoca, de Sylvia Orthof. Assim que saia a Taba, nosso programa era, de noite no sofá, ler as historinhas com nossos filhos, ouvindo a música. Malaquias, o Macaco Cismado, de Cristina Porto, ouvindo Tom Zé cantando Cisma, Severino faz Chover, de Ana Maria Machado, com o Quinteto Violado cantando Asa Branca, Marte invade a Terra, de Sonia Robatto, com Jorge, ainda Ben, cantando Sempre Flamengo, e tantas outras. A Editora Abril era a dona do pedaço e nos enchia de alegria. Esse mundo acabou. [AV]

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