GOLPES & GOLPES

Quem já foi vítima da censura, lembra-se muito bem. Os espaços negros no semanário Opinião, os espaços em branco no Movimento, os diabinhos na Veja, as receitas no Estadão. A censura que veio dom o AI-5, em dezembro de 1968, cortou as nossas asas. Não podíamos voar, mas caminhar, sim. Nomes eram vetados, charges originais recebiam um X do censor analfabeto e iam pra gaveta. No meio dessa repressão toda, até um Julinho da Adelaide nasceu gritando “Acorda, amor!” Não era fácil. Listas de proibição circulavam pela reações numa época em que Dom Heldes Câmara, Paulo Freire, Miguel Arraes, Augusto Boal, Leonel Brizola, João Amazonas, Luis Carlos Prestes, eram palavrões. Resistimos. Jornal morreram massacrados, outros resistiram. Hoje, chegamos ao que chegamos. Não houve um golpe militar para derrubar a presidenta, tudo muito bem disfarçado, como se fosse a democracia, como se fosse a primavera. Chegamos a que chegamos. O presidente da República ameaçando o maior jornal do país é um escândalo que deveria ser colocado na roda de toda a imprensa. Os ratos estão comendo quietos o queijo, pelas beiradas, aos pouquinhos.  Precisamos reagir. Um espaço preto no jornal dizendo que não existe democracia sem imprensa livre já é alguma coisa, mas não o suficiente para frear facistas. Vamos reagir. [AV]

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