TIMIDEZ

Desde aquela inesquecível madrugada em Riad, quando o presidente Jair Bolsonaro perdeu o sono e foi pra frente de uma câmera soltar os cachorros na TV Globo, chamando-a de canalha e de patifes seus responsáveis (na opinião dele, irresponsáveis), a TV Globo encolheu, quase se escondeu debaixo da cama.

Com a ameaça do presidente de tirar a concessão da emissora, com aquela gritaria na calada da noite, a Globo se assustou. Não foi o comunicado interno dando parabéns aos envolvidos na reportagem sobre o porteiro do famoso Vivenda da Barra, que aliviou a situação. A perda de publicidade não é coisa pra se brincar. Coincidência ou não, depois daquele gráfico publicado pelo jornal Folha de S.Paulo, mostrando que o governo Federal encolheu as verbas publicitárias da outrora vênus platinada, o Jornal Nacional anda pisando em ovos.

Na edição desta quarta-feira, 20, por exemplo, ela mostrou uma reportagem dizendo que o porteiro da tal Vivenda, onde vive o presidente, um de seus filhos e vários elementos, alguns presos, outros  acusados de crimes ou foragidos, se enganou em tudo: o número da casa, o número do telefone, a voz de quem atendeu o telefone, a placa do carro. Que porteiro é esse que sofre de amnésia? Ninguém ficou sabendo. 

No mesmo JN, depois do presidente dizer sua bobagem do dia – “queimada é cultural e não vai acabar” – e que a eterna candidata a presidente Marina Silva mentiu, o telejornal capou a resposta da ex-ministra do meio ambiente, falando poucas e boas do Bozo. O Jornal Nacional não quer contrariar o presidente. Pelo menos até que ele caia.  

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