O PAPEL DO JORNAL

Um amigo meu costumava brincar, dizendo que a decadência do Jornalismo começou quando uma lei proibiu os feirantes de embrulhar o peixe em jornal. A lei pegou e não vemos mais feirante embrulhar nem mesmo banana em jornal. O plástico tomou conta do mercado, contribuindo para o fim do nosso Planeta, mas pelo que vimos, a maioria dos que aqui habitam estão se lixando. Aquele velho jornal que, depois de lido, ia parar na área de serviço com o destino de receber as necessidades dos cães e gatos da casa, agora são comprados à quilo, muitos deles virgens de leitura, nas lojas de conveniência que ainda são chamadas de bancas de jornal. Outro dia, um pintor de paredes me disse que, agora, ele próprio era obrigado a comprar “jornal de pet” nas bancas porque casa nenhuma mais tem jornal velho pra forrar o chão da sala na hora da parede receber uma mão de Suivinil. Aqueles antigos compradores de jornal velho que passavam de porta também mudaram de ramo. Hoje buscam papelões, garrafas de plástico e latinhas pra reciclagem. Se dependessem do jornal velho, estariam passando mais dificuldade que já passam. Começamos 2020 sem saber como os jornais chegarão ao final dele. Na Itália, por exemplo, existe o outro lado da moeda. O jornal La Repubblica, por exemplo, vem reagindo numa tentativa de não perder leitores, mas também de ganhar novos. O jornal italiano, todo dia tem um grande suplemento, um em cada dia: Economia, Saúde, Comportamento, Cultura, Design, Automóvel, sem contar a revista de sexta-feira que raramente tem menos de 200 páginas. E nos fins de semana, o leitor ainda recebe a revista de informação L’Espresso, uma das melhores do país. Por aqui, nadamos no sentido contrário. Os jornais cortam pessoal, acabam com suplementos, eliminam revistas, diminuem o número de páginas e, nos feriados, costumam encolher ainda mais, juntando um caderno no outro, transformando um suplemento em apenas uma página. A verdade é que a nova geração não lê mais jornal de papel, ele não faz mais parte do seu cotidiano. Recentemente, a Folha de S.Paulo publicou um  gráfico mostrando a circulação do jornal. 

Os números tentam justificar a queda de 264,4 mil exemplares para 85,9, mostrando que a edição online pulou de 38,9 para 234,9 mil exemplares. Mas não mostra que, nesse ritmo, o jornal de papel corre o risco de morrer, se não nesse 2020, o mais tardar no ano seguinte. É claro que uma grande revolução aconteceu nessas últimas décadas. O mundo é outro, onde as pessoas são bombardeadas de notícias e números desde o momento em que acordam até quando colocam novamente a cabeça no travesseiro pra dormir, sempre online. Não tem mais volta, não adianta chorar o leite derramado. Mas também não resolve os nossos jornais adotarem a política do avestruz, fingindo que em volta está tudo bem. Os jornais de papel vão morrer. A dúvida é se será neste ano, no próximo ou no outro.

[fotos Reprodução

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