CENA DE CINEMA

Um mês após ser comprada por um grupo de acionistas, os quinze jornalistas da lendária revista francesa Cahiers du Cinema, inclusive a editora-chefe Stéphane Delorme, se reuniram no centro da redação para anunciar aos novos proprietários que estavam se demitindo em massa. Não sobrou um. A redação da Cahiers remou contra a maré, mostrando sua força e independência. Normalmente, revistas e jornais passam de mãos em mãos e seus funcionários estão sempre dispostos a fazer o que o seu mestre mandar. 

[foto Reprodução]

 

AGORA, FALANDO SÉRIO!

O título da reportagem sobre a live de Jair Bolsonaro, publicado na edição desta sexta-feira (28) na Folha de S.Paulo, pisa em ovos. Na verdade, o mais forte das bobagens que falou na noite de quinta-feira foi atacar os jornalistas, destruir a Folha de S.Paulo, a revista Época e a TV Globo principalmente, além de dizer que vai aconselhar os seus ministros a dar entrevistas à CNN Brasil (que ele não lembrou o nome na hora) e não à Globo que, segundo ele, é sensacionalista, canalha e mentirosa. Agora, falando sério: os jornais estão com medo do presidente de ultra-direita. 

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RACISMO À FLOR DA PELE

Em entrevista ao Universa, a atriz Jéssica Ellen, a Camila de “Amor de Mãe”, novela das nove e pouco da Globo, fez alguns desabafos, entre eles: “A gente precisa ser amada e cuidada. E ninguém é forte o tempo inteiro. Nem os homens, aliás”. Jéssica foi capa pela primeira vez, recentemente. Linda, ocupou várias páginas da Ela, a revista de fim de semana do jornal O Globo. Vinda da Rocinha, a atriz tem brilhado na trama de Manuela Dias. Forte e guerreira, tanto a personagem Camila, uma professora de esquerda, como aa atriz, despertou para a mídia e começa a fazer despertar o racismo que existe dentro de milhares de brasileiros e brasileiras. Veja os primeiros comentários que surgiram no pé da matéria publicada pelo UOL:

VILLASNEWS está com Jéssica Ellen e não abre. #somostodoscamila

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O JEITINHO DE DAR UMA NOTÍCIA

Este pequeno texto é para mostrar que existem jeitos e jeitos de se dar uma notícia. Todos sabemos que nesses tempos modernos do capitalismo, não é nada fácil uma pessoa acima dos 50 anos conseguir um emprego. Se não é CEO, sobram pouquíssimas vagas para aqueles que já são considerados “idosos”. Mas a GloboNews conseguiu passar uma outra imagem, o outro lado da moeda de um problema. Esse número que mostra um crescimento de 131% de empregos para idosos a partir de 65 anos, é fake. Na verdade, são idosos que não conseguem comprar sequer a listinha de remédios que muitos idosos precisam: pressão, colesterol, artrite, tireóide, para citar apenas alguns. Então saem à procura de um bico, e não de um emprego propriamente dito. Porque emprego propriamente dito, é muito difícil de encontrar, uma pessoa com mais de 65 anos. Com essa tarja no vídeo, a GloboNews passa uma falta informação de que explodiu o número de vagas para os idosos. Sugiro ao pauteiro da emissora à cabo, escalar um repórter para acompanhar a saga de uma pessoa de 65 anos à procura de um emprego de verdade. Vamos ver se ele consegue. 

[foto Reprodução GloboNews]

FICÇÃO E REALIDADE

O escritor Juan Jacinto Muñoz Rengel teve uma idéia. Pegou uma foto feita em 1990 por Cristina Carcía Rodero e propôs a seus leitores, escrever um miniconto em 280 caracteres a partir daquela imagem e postar no Twitter. Em poucos dias, foram mais cinco mil postagens, dos mais variados estilos, muitas além da imaginação.

[foto Cristina García Rodero]

PATÉTICO NEWS

Desde que abandonou o noticiário em forma de telejornal e partiu para uma mistura de notícias, entretenimento, tricotagem e divertimento, a jornalista Maria Beltrão começou a perder a noção do ridículo. Comandando o programa Estúdio I na GloboNews todo início de tarde, ela dá gargalhadas, diz sem parar que ama de paixão os repórteres e comentaristas da casa e seus colegas de bancada que dão sutis revezadas colocando os cotovelos em cima de uma mesa irregular e vermelha. Maria Beltrão foi perdendo a noção do nexo, mandando coraçõezinhos pros fãs que comparecem diariamente no programa em forma de mensagens elogiosas via WhatsApp. Quando o carnaval chegou, Beltrão soltou a franga, maquiou-se, vestiu uma fantasia e partiu pro samba. Na tarde de terça-feira, chegou ao ápice. A jornalista apareceu na tela fantasiada para fazer o seu programa que, além de muito samba, tinha também notícias sérias e muitas ruins. E lá estava ela prontinha para os festejos de Mojo anunciando, por exemplo, a morte do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak ou as 170 mortes no Ceará desde que os policiais resolveram cruzar os braços, esvaziar pneus de viaturas da PM e cobrir suas caras. Mesmo conversando com a repórter em Fortaleza, que comentava os mais de cem assassinatos, Beltrão não perdeu o rebolado, rindo e se divertindo porque sabia que a matéria seguinte seria o povo pulando nas ruas de Salvador. Se não é, o Estúdio I da GloboNews parece uma piada.

[fotos Reprodução GloboNews]

A MORTE DE UM JORNALISTA

O jornalista francês Jean Daniel morreu aos 99 anos, poucos meses antes de completar o seu centenário. Quem acompanha o jornalismo francês sabe da sua importância. Fundador da revista semanal Le Nouvel Observateur, hoje L’Obs, Jean Daniel escreveu, semanalmente na sua revista, a história da França vista pelos olhos de um observador da imprensa. Foi um grande. Hoje cedo, mais uma vez, ele estava em todas as bancas de jornal. Sua morte ereceu a capa do Libération, duas páginas no Le Monde e outras duas páginas no italiano La Repubblica. Esse sim, vai fazer muita falta à França.

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