MORTE AO VIVO

Não costumamos fazer comentários sobre os programas policialescos na TV por aqui porque não costumamos mexer em lixo. Mas hoje vamos falar de um dessas aberrações: Cidade Alerta, apresentado pela Record, e seu animador, Luiz Bacci, aquele que anunciou, ao vivo, para a mãe da jovem Marcela, 21 anos, o seu assassinato. “A senhora quer mesmo saber as novidades?” perguntou o idiota à mãe de Marcela que, totalmente desorientada, disse sim, com um fio de esperança de que fosse uma notícia boa. Não, o cretino disse que a jovem havia sido assassinada pelo namorado. Vamos cortar por aqui porque não é preciso dizer mais nada. É preciso dizer apenas que esses Baccis, esses Datenas da vida, servem apenas para brutalizar e embrutecer esse país que já tem uma besta quadrada como ministro da Educação. O único conselho que VillasNews dá é que você passe longe desses programas que infestam a televisão brasileira. Não dê nem uma paradinha de um minuto porque registra audiência. O objetivo é que eles cheguem ao traço no Ibope e deapareçam da nossa frente.

[foto Reprodução Record TV] 

NAS COXAS

Fazer as coisas nas coxas é uma expressão que está caindo em desuso. Mas, no fundo, continua em plena atividade. Qualquer profissão deve ser exercida com esmero. O Jornalismo não foge à regra. No entanto, diariamente, vê-se na imprensa, títulos, textos, fotos, acabamento, tudo feito nas coxas. Claro que o Jornalismo correto e cuidadoso existe e está presente na televisão, nos jornais, nas revistas, nas rádios, na web. Ontem, ao noticiar que o presidente do STF, Dias Toffoli havia encaminhado um documento aos ministros alertando-os de um perigo de possível atentado, alguém na Folha de S.Paulo executou a legenda acima. A foto de Toffoli está correta, mas atente para a legenda: “Dias Toffoli, natural de Marilia (SP), é o atual presidente do STF e ministro desde 2009, indicado por Lula”. Seguramente, a foto de Toffoli veio do arquivo, com as informações básicas sobre ele. O redator não pensou duas vezes: “Vai assim mesmo!” E foi. 

[foto Reprodução]

YES, NÓS TEMOS BANANAS!

Os jornalistas que cobrem o pitstop que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido e sem vergonha) faz todos os dias na porta do palácio onde mora, estão fazendo papel de palhaço. Todo dia ele chega sorridente, como se estivesse tudo bem com o país e com ele e, depois de fazer um agrado a seus fiéis, costuma xingar os repórteres, humilhá-los, desmoralizá-los e, às vezes, mandar uma banana. Os jornalistas estão fazendo o papel daquela velha expressão “mulher de malandro”, que apanha mas não larga o osso. Horas depois, a humilhação pública vira notícia nas telas dos sites de informação e, no dia seguinte, estão impressas nos jornais que ainda sobrevivem ao formato papel. Em janeiro de 1984, depois de sofrerem humilhações do então presidente João Baptista Figueiredo – grosso como Bolsonaro – os repórteres fotográficos que cobriam política em Brasília, resolveram fazer um protesto. Quando o último presidente militar daqueles tempos tristes começou a descer a rampa do Planalto, todos colocaram suas câmeras no chão e a apenas um, o J.França, foi escalado para registrar o protesto. A fotografia entrou para a história com registro na primeira página da Folha de S.Paulo. Até quando, em pleno 2020, repórteres vão continuar fazendo papel de palhaço?

[fotos Reprodução]

HISTÓRIA

O jornal Le Monde está colocando em todas as bancas da França, uma revista especial com as 50 fotos da História, escolha feita pela equipe do jornal. Uma delas, é esta acima: a capa da revista The New Yorker de novembro de 2001. 

[foto Reprodução]

QUE GREVE?

Se você perguntar para qualquer brasileiro que passa o dia jogado no sofá com o controle remoto da televisão nas mãos, como anda a greve dos petroleiros, ele vai simplesmente responder: “que greve?”. Pois saiba: 20 mil trabalhadores da Petrobras estão de braços cruzados há 14 dias em 108 unidades de 13 estados e 50 plataformas marítimas. O que não se explica é porque a imprensa brasileira resolveu ignorar o movimento, como se fosse um cartel. Ninguém dá. Fica aqui a pergunta: que jornalismo é este que escolhe notícias de acordo com o pensamento do dono? Os donos de jornais, revistas, canais de televisão, de rádios, é bem sabido, odeiam qualquer tipo de greve. Ainda guardam aquele rancor direitista de que greve é coisa de esquerdista, agitador, gente que só quer tumultuar. Os petroleiros estão em greve para evitar que a estatal seja rifada da noite pro dia, que demissões em massa ocorram e que os estrangeiros metam a mão no petróleo que, bem sabemos, é nosso. Onde estão os jornalistas, os editores-chefes que não perguntam a seus patrões o motivo do silêncio em torno da greve dos petroleiros? Talvez se algum mais ousado perguntar, certamente vai ouvir a mesma resposta daquele que está jogado no sofá com o controle remoto nas mãos: “que greve?” Mas, na noite de quinta-feira (13), o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, surgiu na tela da GloboNews, numa longa entrevista para dizer que “a greve dos petroleiros é política”. Alguém conhece alguma greve que não seja política?

 

[fotos Reprodução]