PÉ COM BUNDA

Pedro Bial, 62 anos, trabalha na Rede Globo de Televisão desde 1981. Segundo o verbete livre da Wikipédia, Bial é apresentador de televisão, jornalista, escritor, cineasta e poeta. Na firma onde trabalha, já foi correspondente em Londres, já cobriu a Guerra do Golfo, já viu o muro de Berlim ruir, já fez reportagens para praticamente todos os telejornais da casa. Depois, ele apresentou o Fantástico durante quase uma década. Na juventude, na era do mimeógrafo,  foi poeta e participou de um grupo chamado Os Camaleões. Durante muitos anos, foi o apresentador do reality-show Big Brother Brasil, conhecido hoje como BBB, colocou no ar um programa chamado Na Moral e, finalmente ganhou o seu talk-show Conversa com Bial, sua atual atividade. Nesse intervalo dirigiu o filme O Filho do Holocausto, sobre Jorge Mautner. Um dia, nos bastidores do Fantástico, Bial comentou uma matéria sobre balé que estava sendo editada, com uma frase infeliz: “Balé é coisa de veado”. O áudio vazou e os milhões de telespectadores ouviram Bial dizer aquilo. Uns nem perceberam, outros ficaram chocados. O assunto correu de boca em boca e desapareceu no ar. Ainda não haviam redes sociais para multiplicar a gafe por milhões. Hoje, a história é diferente. Ao dar uma entrevista para a Rádio Gaúcha, Bial resolveu soltar os cachorros em cima do filme Democracia em Vertigem, de Petra Costa, que está concorrendo ao Oscar de melhor documentário no próximo domingo. Disse que o documentário é horrível, que tem uma narração feita por uma gata miando e o que é mais sério: Democracia em Vertigem, feito com imagens originais para um documentário, na opinião de Bial, é um filme de ficção. “Um pé com bunda danado”, disse ele aos ouvintes da Gaúcha. Bastou a entrevista ir ao ar, as palavras de Bial já estavam se multiplicando pelas redes sociais feito coronavírus. Tentei furar a bolha e cacei todo tipo de comentário sobre a fala de Bial. E, por enquanto, só encontrei uma pessoa que pensa como ele, além de Jair Bolsonaro, o primeiro a dizer que Democracia em Vertigem é ficção: o extinto jornalista Augusto Nunes numa rádio de extrema-direita chamada Jovem Pan. Os tempos de redes sociais são muito diferentes dos tempos do mimeógrafo. 

[foto Internet/com intervenção do VillasNews]  

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