A PERGUNTA QUE NINGUÉM FAZ

O governador de São Paulo, aquele que poucos dias depois de assumir a prefeitura da maior cidade da América do Sul, colocou a polícia em ação e bradou em rede nacional que “a Cracolândia acabou!”, tem aparecido diariamente em todos os canais de televisão. Candidatíssimo às eleições presidenciais de 2022, ele surge sempre engomadinho, nem um fio de cabelo fora do lugar, gravata caríssima, sapato de couro alemão, camisa engomada e botox devidamente checado em todos os cantos da cara de pau. Ele tem dois objetivos: primeiro mostrar que São Paulo é uma Suíça onde tudo funciona e tudo é muito bem pensado e administrado. Segundo, que ele é o contrário do atual “presidente” da República. O sapato Tody’s não tem nada a ver com o chinelo Rider de Bolsonaro. Sua camisa fabriqué en France, não tem nada a ver com a camisa do Palmeiras fabricada no Brás, do “presidente” Bolsonaro, mais conhecido como Bozo. Doria dá lição de bons costumes, sempre enfatizando que o certo é ele. Nesta segunda-feira (16) foi a vez do governador aparecer pela primeira vez na recém-inaugurada CNN Brasil, para uma entrevista exclusiva à Monalisa Perrone e Daniela Lima. As duas fizeram perguntas bem pertinentes, inclusive pegando o governador meio de surpresa ao comunicar a ele as rebeliões em quatro presídios da Baixada Santista que estavam acontecendo naquele momento. Doria, conhecido também como Doriana, fingiu que estava a par de tudo, mas se atrapalhou um pouco, teimando que era apenas em uma prisão, já controlada. Doria tem solução para tudo e seu rosto não mexe uma ruga botocada quando diz uma mentira. Fica aqui uma sugestão: o primeiro jornalista a entrevistar Doria, deveria perguntar a ele, qual é o plano do seu governo para enfrentar o problema do coronavírus que pode atingir os 26 mil moradores de rua que ele espalhou pela cidade depois de decretar o fim da Cracolândia. A maioria desses moradores tem mais de 60 anos e estão correndo risco. Ontem, no programa Estúdio i, na GloboNews, Cesar Tralli tocou no assunto com o seu entrevistado, o infectologista Jamal Suleiman. Quando ele ia começar a falar do assunto, a âncora do programa, Maria Beltrão, o interrompeu dizendo que “a janela para São Paulo tem pouco tempo” e que ela queria fazer uma pergunta mais pontual. Mudou de assunto legal e não tocou mais na ferida do governador almofadinha. [AV]

[foto Reprodução/CNN Brasil]

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