VINTE E QUATRO

Prestes a completar um mês de quarentena, morro de saudade da Renata e da Aline, minhas professoras de Pilates. Duas vezes por semana, quando começava a cair a tarde, eu saia andando pela Rua Faustolo, aqui na Lapa e, em 30 minutos chegava lá no Viva Bem, uma casa na Rua Crasso, encravada entre prédios enormes que sobem apagando as estrelas. Sempre ouvi dizer que devia fazer yoga, que hoje dizem que é yôga. Não quis arriscar desde que uma amiga minha, inquieta 24 horas, experimentou e a experiência durou apenas alguns minutos. Quem faz gosta, isso é certo. Menos a minha amiga inquieta. Passava uma hora ali no Viva bem e saia sempre muito feliz, apesar das pernas bambas para chegar caminhando até minha casa. Essa é apenas uma saudade que sinto e que quero matar-la assim que tudo passar. Enquanto isso, fico aqui quieto no meu canto. A televisão continua ligada o dia inteiro, os sites de notícia permanentemente iluminados também. Quando ligo a TV, tomando o primeiro cafezinho, lá está a Julia Duailibi na GloboNews comentando as primeiras páginas dos jornais, como eu vou fazer daqui a pouco no Nocaute, o blog de Fernando Moraes, só que um pouco mais crítico. Ela não mostra capas de revistas estrangeiras, a New Yorker, a Guardian Weekly, a Elle Índia nem a Cahiers du Cinema. KKK! E é com um kkk que termino esse texto, mais curto hoje. O kkk talvez nos remeta aos versos de uma velha canção que diz “Rio, mas também posso chorar”. 

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