NÃO ME TOQUE!

É doce morrer no mar, A jangada voltou só, A lenda do Abaeté, Pescaria, Saudades de Itapuã. É bom acordar pensando nas canções praieiras de Dorival Caymmi, mesmo com a certeza de que o mar está longe e pra chegar até ele preciso subir ou descer. Aqui é assim. Vou mais longe e lembro-me de Edu. Será que hoje tem jangada no mar? Lembro-me de Gil, a dez mil quilômetros do sol, do luar que tanta falta lhe fazia junto do mar, mar da Bahia cujo verde vez em quando lhe fazia bem relembrar. Quando eu era menino, o mar era gigante, acho que bem maior do que é hoje. Construía castelos na areia, túneis e estradas, removia montanhas. Mar de Copacabana, para onde íamos todo verão, a família inteira. Tanto tempo sem ver, só no sonho ouço de longe o seu barulho, seu vai e seu vem, o fugir das águas-vivas, o perseguir uma maria-farinha, catar conchinhas, desviar de gravetos. Chegam até mim via Internet, as primeiras imagens do novo mar pós-pandemia. Pessoas cercadas por quadrados e a volta de uma velha expressão: não me toque! Sorry, Dorival! Não sei se ainda é doce morrer no mar. 

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