LÁ FORA

Abro a janela e não vejo uma alma sequer, um barulho que não seja o da maritaca na árvore que faz sombra aqui dentro, permitindo apenas alguns raios de sol, le premier bonheur du jour. Sei que haverá assaltos no domingo, ação, barulho de sirene, supermercados cheios, farmácias cheias, receitas falsas de cloroquina. Haverá reprise do Faustão, dramas no Fantástico, uma mulher chorando na tela da TV Globo, como no cinema mudo do Caetano. Os bares estão fechados, não haverá cenas de sangue, como na ronda de Paulo Vanzolini. Atualizando São São Paulo, são vinte e cinco milhões de habitantes de todo canto e nação, amando com todo ódio, odiando com tanto amor. Tom Zé se prepara para mais uma live, que não perco nunca. Nunca perdi um lance, um namorinho no portão no bairro da Floresta. Nós, por exemplo. Eu quero saber com quantos quilos de medo se faz uma tradição. É domingo no Cristo Redentor, no Vietnã e em Itapuã e tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo. 

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