AS QUATRO ESTAÇÕES

Este ano ainda não senti frio no corpo inteiro. No máximo, na mão e no antebraço quando abro a janela pro ar fresco entrar. Controlo a meteorologia pela Anne Lottermann e pelo digital do meu celular. São Paulo 17 graus, Belo Horizonte 16, Brasília 14, Florença 21, Paris 16, Rio 22, Vryses 29 e Yakutsky 23. São as cidades onde me interessa se faz frio ou calor, chove ou segue o seco. Me espanto com os 23 graus de Yakutsky, a cidade mais fria do mundo que, quando chega o Natal, os termômetros marcam 45 graus negativos. É verão em Yakutsky, tão longe daqui. Mais uma semana pela frente. Em cima da minha escrivaninha, o Guia Rápido para uma Vida Longa me ensinando a comer peixe três vezes por semana, a ter filhos, um cachorro, a prestar atenção à postura, a tomar uma aspirina por dia. Hoje é daqueles dias que preciso de, pelo menos, 34 horas para fazer tudo que preciso. Seis horas da manhã e ouço o ronco do motor lá fora. Desconfio que a quarentena acabou pra muitos. As pessoas usam máscaras no mundo inteiro. O mundo é pequeno pra caramba, tem alemão, italiano e italiana. Tem coreano, japonês e japonesa. Tem nego da Pérsia, tem nego da Prússia. Tem nego do Zâmbia, tem nego do Zaire. Já que tenho muita coisa pra fazer, gostaria de procrastinar lendo Machado em inglês, The Posthimous Memoirs of Brás Cubas, coqueluche em Nova York. Antes de começar o dia, aproveito o fio de sol e fico observando ele tirar o mofo do meu sapato.  

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