TU PEQUENINA

Nunca te vi, não sei que cor tem já que no Google são muitas. Como pode uma coisa tão bela ser tão cruel? Fecho as janelas para que não entre, não saio às ruas para que não trombe com você, lavo as mão como Poncio Pilatos para te afastar. Não consigo te captar no ar, sequer te enxergar indo embora no ralo da pia, acompanhando da água e do sabão. Minúsculo, invisível, entrou no avião, no navio e atravessou os sete mares. De Whuam à Juiz de Fora, num piscar de olhos. De Milão a Conceição do Mato Dentro, de Nova York a Santa Rita do Sapucaí. Da Suécia à República dos Camarões. Cobrimos boca e nariz para não te respirar, não te engolir. Nunca vi a imagem da gripe espanhola, mas a sua está estampada todos os dias na tela de fundo dos telejornais. Essa bolinha redonda cheia de espinhos aparece diariamente junto a números que vão só aumentando, que começou com um e já está em quarenta e um mil. Cruzes, covas você construiu. Choro, lamento, distância, incerteza, tristeza, revolta, mais um dia vai começar. 

 

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