ANDANDO NAS NUVENS

Sonho com serpentes, com serpentes do mar, largas, transparentes. E quando a mato, aparece uma maior. Sonho também com bichos escrotos saindo dos esgotos, bichos estranhos, metade peixe, asas de dodô, metade cão. Mas sonho também com nuvens de chumbo, branquinhas, viagens de avião. Sonho com muitas aves, de todos tipos, de todas as cores. Garças, flamingos, tuiuiús, pelicanos, gaivotas meninas de asas paradas voando no sonho. Eu tive um sonho que eu estava certo dia num congresso mundial discutindo economia. Argumentava em favor de mais trabalho, mais emprego, mais esforço, mais controle, mais-valia. Falei de pólos industriais, de energia. Demonstrei de mil maneiras como que um país crescia. E me bati pela pujança econômica baseada na tônica da tecnologia. Nos sonhos, estou sempre nu, como um índio do Xingu. Entre uma da madrugada e seis da manhã, é a hora que saio de casa para sonhar, há cento e dezessete dias. Etelvina, acertei no milhar! Ganhei quinhentos contos, não vou mais trabalhar. Você dê toda roupa velha aos pobres e a mobília podemos quebrar. Até que enfim agora sou feliz, vou passear a Europa toda até Paris. 

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