COMO UMA ONDA

Ando meio desconfiado que somente eu ainda estou dentro de casa me guardando pra quando o carnaval não chegar. Da janela, ouço o barulho dos motores logo cedo, antes do dia amanhecer. Ele só diminui um pouco quando faz muito frio e as pessoas ainda estão se guardando debaixo do cobertor esperando o sol chegar. Uma saudade grande do mar do litoral de São Paulo onde o caminhar de um lado a outro, até bater nas montanhas e voltar, é possível, é viável. Desviar das algas, evitar as águas vivas, um peixinho morto aqui, um caco de concha acolá, um baldinho vermelho perdido, um castelo de areia desmanchando. Dizem que não, mas o domingo é diferente dos dias da semana, mesmo dentro de casa. Daqui a pouco tem uma lasanha no forno, prato sempre de domingo. Um Aperol na taça com três cubos de gelo e uma fatia de laranja não tem cara de segunda. Um lata de Schwepps amassada no lixo e o vermelho na folhinha. A desobrigação de acompanhar as notícias minuto a minuto também dão um ar novo, longe do chamado dia útil. Não, hoje não é um dia inútil. É quando mais avanço o meu livro, que mais ouço Tchaikovsky no Spotify, é o dia que não desço para caminhar três quilômetros em volta do prédio porque ninguém é de ferro. Não sei se hoje ainda tem arrastão, tem jangada no mar, mas quando ele quebra na areia, é bonito, é bonito.

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