SEGUE O SECO

Muito me impressiona o mandacaru desde Vidas Secas, desde os retirantes de Portinari. Aquele que quando flora lá na seca é o sinal que a chuva chega no sertão. Tenho um em casa há mais de dez anos. Deu flor apenas uma vez e nunca mais, nunca soube porque e sempre espero ao menos uma, tão bela, quando chega a primavera. Sei que o mandacaru não gosta de água, rego a cada quinze dias. Isso é que me impressiona, o viver sem água durante tanto tempo. Nesses dez anos e pouco, ele cresceu uns vinte centímetros. Pelas minhas contas, lá pelo ano 2030 vai chegar ao teto e ai não saberei o que fazer com ele. Ou comigo. Faça sol, faça chuva, ventania branda ou vento bravo, o mandacaru é sempre o mesmo. Não amarela, não balança, não murcha. É um forte. Desde o início da pandemia, da quarentena, do confinamento, ele é o mesmo. Não importa se tem flexibilização, jogo sem público, gente com máscara, jovens nos bares do Leblon, álcool gel nas mão, laranjas lavadas com água e sabão. Com o mandacaru não tem surpresa. Só isso.

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