LAERTE

Laerte Fernandes saia todo dia da redação do Jornal da Tarde, em meados dos anos 1980, atravessava o corredor e me dizia: “Villas, você precisa trazer o Tom Zé pra escrever crônicas pro Caderno 2”. Insistiu, insistiu e eu trouxe. O Tom Zé estava com as malas prontas pra voltar pra Irará, amargurado, quase desistindo da música. O Laerte entrou na redação com um Tom Zé assustado e muito acanhado. Mas ele foi ficando tão animado, tão animado com aquelas crônicas que começaram a sair às terças-feiras que resolveu ficar em São Paulo. Ele conta que acordava cedinho e corria à banca pra comprar o Estadão e ver seu nome lá, assinando uma crônica. Pra nossa felicidade ele desistiu de voltar pra sua Irará, cuidar do posto de gasolina do tio. Ficou por aqui e acabou voltando aos palcos. Isso sempre me deixou muito feliz. Mas agora, uma tristeza abateu sobre todos nós. O querido Laerte Fernandes nos deixou aos 83 anos, vítima de um AVC. 

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