SEM DESTINO

Sinceramente, vontade de sair andando a esmo, sem destino, tipo Paris-Texas, tipo Werner Herzog quando escreveu Sur le Chemin des Glaces, sem lenço e sem documento. Sair reto, subir a Catão, ganhar uma estrada, atravessar sete mares, subir montanhas, chegar a Zona da Mata, comer algumas mangas Ubá até enfarar. Reencontrar paisagens, velhos amores e seguir adiante. Subir a América do Sul tipo Diários de Motocicleta, fazer uma pequena revolução. Derrubar o governo da Bolívia e, na Colômbia, soltar um rojão. Revisitar o museu Botero, comer frutas exóticas e seguir caminhando pela estrada de ferro que não vai me levar a nada. Vontade de abrir a porta, descer as escadas, deixar as janelas abertas sem se importar se vai chover no sofá, se vai molhar os livros, se vai estufar o chão. Esquecer todos os compromissos, nem que seja por vinte e quatro horas. Não, vinte e quatro horas é pouco. Trinta e seis. Construir um barco, ser Fitzcarraldo.

[ilustração Katharina Bitzl]

Um comentário em “SEM DESTINO

  1. Poxa Villas , que vontade de te encontrar on the road , e alguns dos nossos também ! O anonimato é desejável, mas estou com saudades dos milhões de abraços , assim, apertados , assim !
    Vce tá tão cansado que não vai nem derrubar a excrescência que é o governo do Brasil.

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