O ESTRANGEIRO

Eu não sou daqui, minha gente, e sei disso. Sou do ouro, sou Minas Gerais. Cheguei na maior cidade da América do Sul num dia primeiro de abril e nada entendi. O ônibus estacionou numa das rodoviárias mais feias do mundo, toda forrada de vitrôs coloridos. Batia muito sol e refletia no chão, onde depositei minha mochila, pouca roupa, vim pra passar poucos dias e fiquei. Já se foram quarentena e um anos e eu ainda confundo Heitor Penteado com Teodoro Sampaio. Quando alguém me fala sabe ali na altura da ponte do Piqueri, eu não sei. Como não sei onde fica o MBoi Mirim e não faço a menor ideia onde está a Jacu pêssego. Não dirijo, mas já tive um daqueles guias enormes de ruas da cidade. Ficava assustado quando encontrava o nome da rua e via que estava localizada na página 450, no quadradinho B5. Gosto de mapas, mas sempre acho que eles estão do lado errado. Higienópolis, onde morei muitos anos, conheço bem. Como a Lapa também. Mas conheço pouco São Paulo. Conheço mais Belo Horizonte, onde passei 22 anos, Paris onde passei uma década, Brasília onde morei dois anos. Aqui já são 41. Amo São Paulo. Apesar de todos os defeitos, te carrego no meu peito. Ainda bem que Waze é um nome feio mas é o melhor meio de se chegar.

Músicas citadas: Irene (Caetano Veloso), Pra Lennon e McCartney (Milton Nascimento), São São Paulo (Tom Zé), Pela Internet (Gilberto Gil)

2 comentários em “O ESTRANGEIRO

  1. Usei aqueles guias pesadíssimos, já não lembrava! Caminho para trinta anos em SP e, como vc, trago está cidade no coração.

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